A derrocada do "Cansei" e a volta do "Fora Globo"

A derrocada do "Cansei" e a volta do "Fora Globo"

Atualizado em 12/09/2007 às 13:09, por Pedro Venceslau.

A seleção nacional da esquerda brasileira foi convocada pela revista Caros Amigos para dar o tiro de misericórdia no movimento "Cansei". De Antônio Abujamra a Tom Zé, passando por Pedro Simon e José Trajano, 17 convidados responderam a uma singela pergunta: "Qual o significado dessa coisa no Brasil de hoje?". Se a revista tivesse ampliado o espectro, perceberia que até mesmo a "grande imprensa" cansou do "Cansei".

Na entrevista que concedeu à IMPRENSA - e que será publicada na edição de outubro - o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, editor especial da revista Veja e titular da coluna "Ensaio", revelou porque nunca simpatizou com o movimento: "Não dá para levar a sério um movimento que nasceu de uma reunião de dondoca. Lamento que surgiu onde surgiu e a escolha desse nome auto-desmoralizante".

Otávio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S.Paulo , compartilha de opinião semelhante. "O "Cansei" acabou se associando a uma certa imagem de frivolidade de inconseqüência política que prejudica a reputação da campanha. Está de longe de ser um movimento com o qual eu possa simpatizar".

É visível que a campanha "contra tudo que está aí", idealizada por João Dória Jr. está agonizando. A reação contrária foi muito mais forte que a capacidade de mobilização das 60 entidades que aderiram formalmente à causa.

Quando surgiu, no calor dos acontecimentos do acidente da TAM, o "Cansei" foi recebido com entusiasmo por revistas, jornais e emissoras. O jornal O Estado de S. Paulo , as revistas Caras e IstoÉ e o SBT cederam espaço de graça. Já a Folha de S.Paulo cobrou e não deu desconto: R$ 150,000, segundo o dossiê da Caros Amigos . Hoje, quase não se vê mais o anúncio do movimento. O carimbo de movimento de madame pegou.

A volta do "Fora Globo"

O inesquecível bordão "O povo não é bobo, fora a Rede Globo" está de volta. No próximo dia cinco de outubro o velho grito de guerra sairá do baú para o megafone, sem escala. Nesta data, vencem as concessões das principais emissoras de TV brasileiras, entre elas as praças de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Minas Gerais da Rede Globo.

Com este gancho, um consórcio de entidades formado por MST, CUT, UNE e Coletivo Intervozes está convocando as bases para protestar contra o "coronelismo eletrônico". A idéia é chamar atenção para (mais) uma aberração do sistema político brasileiro. Mais de um terço dos 81 senadores possuem concessões de emissoras de rádio e TV.

Parodiando Lula, nunca na história desse país uma concessão deixou de ser renovada. Pudera. São os próprios parlamentares que tem a palavra final sobre as outorgas. Entre outras bandeiras, as entidades militantes da comunicação querem subordinar o processo de decisão ao poder público. Pedem, ainda, algo que deveria ser Lei: que os nomes dos concessionários sejam publicados no site do Ministério das Comunicações. Uma coisa é certa: eles não falarão sobre isso no "Jornal Nacional".