"A democracia precisa de redações independentes", diz Eugênio Bucci sobre a função do Jornalismo

"A democracia precisa de redações independentes", diz Eugênio Bucci sobre a função do Jornalismo

Atualizado em 28/09/2010 às 18:09, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Por
Alf Ribeiro
Eugênio Bucci
A liberdade de expressão no Brasil é ampla e não está ameaçada e a democracia do país provém da independência das redações.
Estas foram as conclusões do jornalista e doutor em comunicação Eugênio Bucci, em entrevista ao Portal IMPRENSA, na última quarta-feira (23), por ocasião do aniversário de 23 anos da revista IMPRENSA , comemorado com um debate em São Paulo (SP), que contou com a presença dos também jornalistas Mônica Waldvogel e Sandro Vaia.
Sobre a discussão sugerida por IMPRENSA - "Existe futuro sem o Jornalismo?" -, Bucci indicou que a atividade é imprescindível por tratar da preservação dos preceitos democráticos; isso quando o fazer jornalístico é pautado pela isonomia.
"A democracia para funcionar, precisa de redações independentes, e redações independentes são núcleos de pessoas profissionalizadas, pagas pela sociedade para captar e processar informação, mediar debates e fornecer pontos de vista que permitam à sociedade refletir criticamente sobre diversas realidades", respondeu.
"A função fundamental do jornalismo não é ser um transportador de frases entre aspas. É olhar com inteligência, e uma inteligência independente, o que as pessoas estão dizendo e fazendo e entender esses significados no mundo contemporâneo", acrescentou, a respeito da função do jornalista mediante à expansão das redes sociais e do acesso à informação.

Bucci admitiu que a independência apontada por ele é subjetiva e, em alguns casos, submetida aos interesses corporativos. No entanto, historicamente, a autonomia dos jornalistas é menos questionada do que durante o regime militar.
"Do ponto de vista de um critério único, que é a criação dos conglomerados - processos de fusão, criação de grandes grupos -, é possível que hoje as redações tenham mais vínculos internos com as empresas a que pertencem do que tinham antes", disse. "Antes, um jornal era um jornal e a empresa era o jornal", explicou.
O governo Lula e a liberdade de imprensa
"De jeito de nenhum", respondeu Bucci ao ser indagado se a eventual perpetuação do governo petista no poder possa ameaçar a liberdade de imprensa.
O jornalista pontua, no entanto, que há excessos sem propósito por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que contribui para macular sua imagem de forma gratuita.
"Acho que nós temos excessos de parte a parte e acho muito ruim que a figura de um presidente da república, de uma autoridade de Estado, ataque a imprensa como um todo. Isso é negativo, mas isso, na minha visão, isso não constitui nenhuma ameaçada à ordem democrática. São arroubos, excessos, mas o processo democrático vai caminhar e temos ampla liberdade de expressão no Brasil e isso não está ameaçado", afirmou.
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