A crise econômica e a queda das bandeiras nos EUA

A crise econômica e a queda das bandeiras nos EUA

Atualizado em 04/08/2009 às 15:08, por Silvia Dutra.

A crise econômica na qual os Estados Unidos estão afundados atualmente tem provocado notícias que parecem surreais, e que só há poucos meses atrás seriam impensáveis. Ela também tem causado mudanças profundas em hábitos tão tipicamente americanos quanto uma boa torta de maçã.

Por exemplo: é fato conhecido no mundo inteiro que os americanos veneram a própria bandeira. Não tem um filme americano em que ela não apareça, geralmente acompanhada de uma música triunfante, num momento todo formulado para ser emocionalmente tocante. Desde pequeninos eles são treinados pela mídia, pelas escolas, pelos pais a serem patriotas e declaram isso com muito, muito orgulho. Aliás, não tem ofensa pior do que ser chamado de antipatriota. Para figuras públicas como deputados, senadores e até mesmo artistas pode significar um grande prejuízo ou até o fim da carreira. Até na Lua colocaram uma bandeira americana.

Logo após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, elas foram colocadas imediatamente na frente de quase todas as casas e carros, em todo o País, como um sinal de união e esperança, um símbolo de que o ataque tinha sido profundo, mas não fatal. Porque a bandeira ainda estava lá, em pé, pra lembrar todo mundo que dias melhores viriam.

Mas daí chegou a crise econômica e as coisas começaram a mudar. Se isso aqui fosse um filme, era a hora da música dar aquela desafinada.
Essa semana, em Clearwater, uma cidade daqui da Flórida, Kevin Dunbar, diretor de Parques e Recreação, ordenou a retirada de 13 mastros de bandeiras em vários pontos do município. O motivo: o orçamento não comporta mais gastos com a manutenção apropriada desse símbolo nacional.

Dunbar explicou que há toda uma legislação regulando a instalação e manutenção dos mastros e das bandeiras. E é responsabilidade das autoridades cuidar para que o gramado ou o calçamento em volta do mastro seja mantido em perfeito estado. E que se as cores desbotarem e o sol e a chuva causarem um rasgo no tecido, a bandeira deve ser imediatamente substituída.

Por causa da crise econômica, o número de funcionários do departamento que Dunbar administra teve que ser cortado em 25%. Por isso, não há mais gente disponível para monitorar essas coisas. E o jeito foi retirar os mastros e engavetar as bandeiras.

Agora muito pior é essa notícia aí de baixo: cidades de tendas estão pipocando por todos os Estados Unidos. É a classe média mais numerosa do mundo perdendo suas casas, carros, empregos e crédito e tendo que se ajeitar em alojamentos, viver em tendas de lona, sem ar condicionado, água corrente e todos os outros confortos até então tidos como garantidos.

Não acredita? Pois veja esse .