"A cracolândia é um lugar que incomoda e intriga ao mesmo tempo", diz Apu Gomes

"As pessoas não falam muito sobre o lugar, ninguém sabe direito o que acontece lá. Isso me motivou a fotografar lá sempre"

Atualizado em 29/11/2011 às 16:11, por Alessandra Ungria*.

A rotina de cobrir locais considerados perigosos na cidade de São Paulo, como pontos de venda de drogas, pode parecer absurda para muitos repórteres. Apu Gomes, fotógrafo da Folha de S.Paulo há cinco anos e especializado em registrar cenas do cotidiano da metrópole, na realidade, acha instigante este tipo de trabalho. Desde 2007, por exemplo, costuma fotografar, com frequência, a região da cracolândia. "A cracolândia é um lugar que incomoda e intriga ao mesmo tempo. As pessoas não falam muito sobre o lugar, ninguém sabe direito o que acontece lá. Isso me motivou a fotografar lá, sempre", ressaltou o profissional, em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Interessado pelo mundo da fotografia desde pequeno, quando se oferecia para registrar os momentos em família, Gomes começou a trabalhar com a área quando foi incentivado por um publicitário da agência em que atuava como motoboy a investir na carreira. "Fotografava a cidade com uma câmera que tinha enquanto andava de moto. Eu nunca tive oportunidade de ir a fundo na área, é muito cara. Quando fui trabalhar na agência de publicidade, levava os filmes de um dos publicitários para revelar e, um dia, contei sobre meu interesse. A partir de então, ele começou a me incentivar na carreira".


Após iniciar como freelancer em uma agência de fotojornalismo e, posteriormente, atuar também no Diario de S.Paulo , Gomes entrou na Folha como repórter noturno, cobrindo assuntos considerados 'mais pesados'. "Eu comecei trabalhando na madrugada e nesse horário os casos mais violentos acontecem mesmo, tem bastante acidente de trânsito... Mas, agora, entro às 7h e as pautas continuam sendo violentas".


Outro momento marcante da carreira de Gomes foi sua cobertura dos ataques do PCC, em 2006. De acordo com ele, foi complicado fotografar o acontecimento por que não havia, exatamente, o que registrar "com precisão". "O que é o PCC? As coisas estavam acontecendo ali, gente morrendo, policiais matando, muito caos, foi difícil". Entretanto, em todos os trabalhos que faz, o profissional é categórico: "Eu só fotografo com o consentimento da pessoa".




* Com supervisão de Gustavo Ferrari
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