A conexão brasileira do caso Snowden
Crédito:Leo Garbin Chegou a vez de o Brasil participar no novo jogo diplomático desencadeado pelos “informadores” (whistleblowers) e suas revelações de alcance planetário.
Atualizado em 02/09/2013 às 16:09, por
Benoît Hervieu.
de o Brasil participar no novo jogo diplomático desencadeado pelos “informadores” (whistleblowers) e suas revelações de alcance planetário. Após Julian Assange, o fundador de WikiLeaks que continua confinado à embaixada do Equador em Londres; após Edward Snowden, o jovem agente da NSA obrigado a prolongar uma escala forçada na Rússia; agora é o jornalista Glenn Greenwald que ingressa no clube dos exilados da informação ultrassensível.
Porém, o caso deste último apresenta diferenças palpáveis em relação aos dois primeiros. Blogueiro famigerado e temido, colaborador da edição americana do diário britânico The Guardian e anteriormente do site Salon.com, Glenn Greenwald já havia escolhido o Brasil como segundo país de residência por motivos de ordem privada bem antes que rebentasse o caso Snowden, do qual se tornou um dos principais divulgadores. E foi sem o ter pedido que este especialista dos temas estratégicos mais delicados (terrorismo, defesa, programas de espionagem) recebeu das autoridades de Brasília uma oferta de proteção com que Julian Assange e Edward Snowden não podem nem sonhar.
De acordo com O Estado de S. Paulo , essa oferta em jeito de agradecimento foi comunicada a Glenn Greenwald na sequência de seu depoimento, no passado dia 6 de agosto, perante a Comissão de Relações Externas do Senado encarregada das revelações de Edward Snowden sobre a vigilância mundial promovida pelos Estados Unidos. Mas, segundo Salon.com, o interessado não planeja, ao menos por agora, solicitar oficialmente a proteção proposta e tem a intenção de regressar ao seu país de origem quando assim o decidir, apesar dos riscos. Porque os riscos existem, e são elevados.
Os Estados Unidos já advertiram, através do tratamento infligido ao soldado Bradley Manning, do preço a pagar por uma audácia informativa que vá contra seus interesses. Embora seja mais um “disseminador” que um “informador”, terá Glenn Greenwald razões para recear uma sanção da mesma dureza?
A hipótese fica em aberto. Mas, nesta altura, a questão crucial deve se colocar em sentido inverso. Que procura, através de Greenwald – um perfil mais “aceitável” –, esse mesmo Brasil que rejeitara o pedido de asilo de Snowden? Provavelmente, não tanto criar um ícone antiimperialista, como fizeram o Equador e a Venezuela com Assange e Snowden, mas mover mais um peão em seu jogo de xadrez de potência regional diante do “Império”.
A visita de Dilma Rousseff a Washington no próximo dia 23 de outubro inclui negociações sobre acordos comerciais e militares, recorda O Estado. Uns apreciarão a sutileza da manobra, outros lamentarão que a causa da liberdade e transparência da informação seja utilizada como um problema subalterno. Mas até 23 de outubro cabe a Glenn Greenwald escolher o melhor momento para agir.
Porém, o caso deste último apresenta diferenças palpáveis em relação aos dois primeiros. Blogueiro famigerado e temido, colaborador da edição americana do diário britânico The Guardian e anteriormente do site Salon.com, Glenn Greenwald já havia escolhido o Brasil como segundo país de residência por motivos de ordem privada bem antes que rebentasse o caso Snowden, do qual se tornou um dos principais divulgadores. E foi sem o ter pedido que este especialista dos temas estratégicos mais delicados (terrorismo, defesa, programas de espionagem) recebeu das autoridades de Brasília uma oferta de proteção com que Julian Assange e Edward Snowden não podem nem sonhar.
De acordo com O Estado de S. Paulo , essa oferta em jeito de agradecimento foi comunicada a Glenn Greenwald na sequência de seu depoimento, no passado dia 6 de agosto, perante a Comissão de Relações Externas do Senado encarregada das revelações de Edward Snowden sobre a vigilância mundial promovida pelos Estados Unidos. Mas, segundo Salon.com, o interessado não planeja, ao menos por agora, solicitar oficialmente a proteção proposta e tem a intenção de regressar ao seu país de origem quando assim o decidir, apesar dos riscos. Porque os riscos existem, e são elevados.
Os Estados Unidos já advertiram, através do tratamento infligido ao soldado Bradley Manning, do preço a pagar por uma audácia informativa que vá contra seus interesses. Embora seja mais um “disseminador” que um “informador”, terá Glenn Greenwald razões para recear uma sanção da mesma dureza?
A hipótese fica em aberto. Mas, nesta altura, a questão crucial deve se colocar em sentido inverso. Que procura, através de Greenwald – um perfil mais “aceitável” –, esse mesmo Brasil que rejeitara o pedido de asilo de Snowden? Provavelmente, não tanto criar um ícone antiimperialista, como fizeram o Equador e a Venezuela com Assange e Snowden, mas mover mais um peão em seu jogo de xadrez de potência regional diante do “Império”.
A visita de Dilma Rousseff a Washington no próximo dia 23 de outubro inclui negociações sobre acordos comerciais e militares, recorda O Estado. Uns apreciarão a sutileza da manobra, outros lamentarão que a causa da liberdade e transparência da informação seja utilizada como um problema subalterno. Mas até 23 de outubro cabe a Glenn Greenwald escolher o melhor momento para agir.





