A caravana de Recife

A caravana de Recife

Atualizado em 08/12/2008 às 10:12, por Redação Revista Imprensa.

À primeira vista, Bart Vetsuypens poderia parecer perdido entre os milhares de participantes da 7ª Oficina para Inclusão Digital, que ocorreu em novembro, em Belém. Na verdade, Vetsuypens era um dos participantes com missão melhor definida: fazer contatos que o ajudem a movimentar sua Caravana de Comunicação e Juventude (CCJ) para a capital paraense em janeiro, quando a cidade sediará o Fórum Social Mundial. "Está muito bom, se fala com muita gente", diz o belga, com leve sotaque, sobre o evento.


Bart Vetsuypens

A história de Vetsuypens com o Brasil é peculiar. Pesquisador das tecnologias da informação, o belga começou a trabalhar com inclusão digital em Bruxelas, usando computadores como método pedagógico em escolas públicas. Por meio da ONG européia Volens, que existe desde 1965, ele e outros professores dessas escolas resolveram viajar 1998 para conhecer outras realidades carentes de conectividade e trocar experiências. Passou por muitos lugares da América do Sul e se fixou em Recife em 2002, onde ajudou a fundar o CCJ. "É a articulação de vários canais para realizar projetos de comunicação na comunidade do Morro da Conceição", explica. Gratuitamente, Vetsuypens ministra cursos e capacitação profissional com jovens da periferia. As atividades dizem respeito à tecnologia, comunicação, política pública e economia solidária.

Apesar de o projeto ter sido gerido com sucesso até o momento, Vetsuypens procura melhorar as finanças para a logística da equipe até Belém. "A maioria das ONGs está sem dinheiro. Grande parte vem da Europa, mas a economia do Brasil começa a crescer e a Europa passa a investir em outros lugares, mais pobres", diz o belga. Ele bem que tentou, "via Comissão Européia, mas só conseguimos 73% dos votos - a meta era 77%."

Nem por isso Vetsuypens desanimou. O objetivo do grupo é levar a equipe de quatro CCJs para Belém, de ônibus, e realizar laboratórios de jornalismo no caminho. "Queremos provocar o debate com as comunidades que encontrarmos", conta. O plano é partirem de Recife, Salvador, Fortaleza e Natal no início de janeiro para se encontrar dia 21, em Teresina, e de lá partirem juntos para a sede do Fórum Social Mundial, evento que ocorre entre 23 e 28 de janeiro de 2009. "Vamos produzir notícias sobre problemas sociais, colher testemunhos para colocar no Fórum, mas não só isso. Também queremos falar sobre cultura e outros temas", diz o educador.

Poucas horas antes da abertura, Vetsuypens já havia conversado com um monte de gente. Próximo do fim do evento, no dia 6 de novembro, já havia conseguido um bom alojamento na cidade para o CCJ, dentro de um colégio particular. Articulado, o belga parece animado com os negócios. "Mas se não fechar nada, não tem problema. Vou inventar uma carta de 'membro de honra da caravana', vai custar R$ 50. Ou vou vender camisetas estereografadas. Dou um jeito, nem que tenha que reusar camiseta do avesso para não precisar comprar novas", brinca.

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