A busca pelo diferente vira um exagero em cobertura de Jogos Olímpicos, diz editora do R7

A busca pelo diferente vira um exagero em cobertura de Jogos Olímpicos, diz editora do R7

Atualizado em 11/01/2011 às 17:01, por Ana Ignacio/Da Redação.

Por Apesar de os Jogos Olímpicos de Londres e do Rio de Janeiro ainda estarem distantes, o tema já está em pauta. O lançamento da Logomarca dos Jogos do Rio-2016 mostrou que a atenção e o interesse por um dos principais eventos esportivos do mundo começa muito antes das competições de fato.
Os jornalistas esportivos Álvaro José, da Record e Denise Mirás, editora de esportes do portal R7, acreditam que o trabalho da imprensa realmente deve começar antes dos jogos em si. "A cobertura já começou. O lançamento da Logomarca do Rio-2016 mostra isso. Eu só acho que não podemos esquecer que daqui a um ano e meio teremos as Olimpíadas de Londres-2012 e eu acho que o caminho para Rio-2016 passa por Londres. E como passa", avalia.
Denise destaca também a importância da cobertura constante dos Jogos. "Acho importante acompanhar obras e organização. O ideal seria que tivesse gente fazendo isso o tempo todo, mas não temos. Não dá 'ibope', são assuntos considerados chatos. O que a ESPN faz, por exemplo, é o ideal. Acompanham sempre, conhecem as famílias, vão nos locais. Quando chega a Olimpíada eles têm um estofo de informação que é muito importante. Se você cai de pára-quedas, sem ter acompanhado nada, nem sabe o que perguntar", diz.
Além disso, os jornalistas destacam que cobrir Jogos Olímpicos não é como cobrir qualquer outro evento esportivo de grande porte. "É muito diferente. É uma competição de vários esportes. Ou são vários campeonatos mundiais disputados em duas semanas. Essa é a diferença dos outros eventos. O gigantismo", diz José. Mas ele destaca também, que os jornalistas estão preparados. "A especialização aconteceu. Hoje existem muitos profissionais estudiosos que buscam as informações de cada modalidade. Além disso, temos que saber como está a política internacional e como o mundo vê a competição", analisa José.
Denise concorda, mas ressalta que quem não está acostumado a cobrir Jogos Olímpicos, tem dificuldade. "Os jornalistas estão preparados e quem normalmente cobre está mais acostumado a pesquisar, perguntar, não ter vergonha de perguntar. Agora o pessoal de futebol que cai pra cobrir olimpíadas fica mais retraído porque estão acostumados a falar de igual pra igual com técnico e jogador e costumam mais discutir do que perguntar", explica.
Mudanças na cobertura Álvaro José e Denise somam 14 Jogos Olímpicos trabalhados in loco . José cobriu oito; Denise, seis. Nesse período, o trabalho dos jornalistas passou por mudanças. José, que trabalhou em Jogos Olímpicos pela primeira vez em 1980, em Moscou, destaca que a principal mudança é em relação ao acesso aos dados. "Em Moscou, a União Soviética se preparou para fazer os maiores jogos da historia até então, mas as informações e resultados ficavam em escaninhos como os das antigas redações. E quando acabavam os papéis com nosso alfabeto romano, tínhamos que nos virar com o texto em cirílico.Eram tempos difíceis. Com os computadores e resultados em tempo real, a partir de Atlanta -96, tudo melhorou muito .Tivemos mais facilidades e a possibilidade de explorar melhor o drama e o lado humano dos atletas", explica.
O avanço tecnológico realmente é o fator que mais influencia no trabalho de cobertura de Jogos Olímpicos. "As duas mudanças principais foram o celular e a internet. Isso determinou muita coisa", lembra Denise. Hoje é fato que os jornalistas possuem uma estrutura técnica muito melhor, mas isso exige um bom planejamento das empresas de comunicação. "Temos cada vez mais braços de apoio, mas falta foco na cobertura. Essa coisa de coisa de correr atrás de coisas diferentes é um exagero. Entrevistar a cunhada de um atleta pra saber se ele come beterraba não interessa. Essa quantidade de notícias, independente do que seja, não é o ideal", explica Denise. Apesar do avanço na cobertura de Jogos Olímpicos, ainda há o que fazer na área. Os jornalistas e as empresas de comunicação têm pelo menos mais de um ano para se preparar para 2012 e continuar em forma para 2016. A expectativa já é grande. Álvaro José e Denise Mirás irão ministrar a primeira Oficina de Jornalismo de 2011, "Cobertura das Olimpíadas", na próxima sexta-feira, dia 14. Para saber mais sobre essa e outras Oficinas IMPRENSA deste ano, clique .
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