A bola é pública!

Crédito:Leo Garbin Rio de Janeiro. Zero hora do dia 19 de junho. O ano é 2013. E o país, o Brasil, sede da Copa das Confederações, umaespécie de evento teste que a Fifa faz antes da Copa do Mundo de Futebol.

Atualizado em 02/07/2013 às 14:07, por Rodrigo Viana.

Zero hora do dia 19 de junho. O ano é 2013. E o país, o Brasil, sede da Copa das Confederações, uma espécie de evento teste que a Fifa faz antes da Copa do Mundo de Futebol.
Daqui de dentro do quarto do hotel em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), cidade para a qual fui deslocado pelo Departamento de Jornalismo do SBT para fazer a cobertura da competição, muita coisa passa em minha cabeça. Penso nesta maciça manifestação da população brasileira em quase todas as capitais e principais cidades do país.
Sei que é de uma pequenez abismal citar letras de música em colunas de opinião. Mas vou cometer o pecado-confessado: “são meros devaneios tolos a me torturar”. A letra do paraibano Zé Ramalho é a única metáfora capaz de traduzir este obsessivo e recorrente pensamento que tenho sobre as manifestações.
Não as considero erradas! Muito menos ilegítimas, como tenho ouvido por aí. Mais do que isso, penso que uma espécie de “inteligência coletiva” do nosso povo, organizou-se em meio ao caos. Depois disso, esperou o cirúrgico momento de um evento midiático mundial, e acendeu o pavio.
Óbvio que discordo dos descabidos excessos. Injustificáveis as agressões aos jornalistas (acabo de saber que incendiaram um carro da TV Record e alguém desferiu um soco no rosto do jornalista Caco Barcelos, da TV Globo). Nós, do SBT, tivemos um repórter cinematográfico atingido por gás de pimenta nos olhos (provavelmente lançado por algum policial tão alienado quanto qualquer delinquente violento que ele tenta reprimir).
Mas existe algo dentro de mim que diz que o movimento popular é positivo. Acho que as pessoas amalgamaram uma gosma no estômago por muito tempo e estão vomitando agora. Pra todo o mundo – literalmente – ver!
Os motivos são muitos e históricos. Eu, por exemplo, acabo de colocar no ar uma reportagem investigativa sobre a venda ilegal de ingressos durante os jogos da Copa das Confederações. Comprei um ingresso “no paralelo” de um cambista na cara da polícia. A mesma polícia que negou o fato logo em seguida. Foi ao ar no SBT, e o site da emissora abriga a reportagem caso alguém que não viu a cena, se interesse em vê-la.
Mas o que é a ação de um cambista de ingresso de futebol perto de anos e anos de descaso com a coisa pública? Segundo um dicionário que acabo de consultar, o significado de público é: aquele que se refere ao povo em geral. Relativo ao governo de um país: negócios públicos. Manifesto, conhecido por todos: rumor público. A que todas as pessoas podem comparecer: reunião pública.
Taí, então, na ponta do verbo, a legitimação das manifestações. A Copa das Confederações (e a do Mundo que virá?) é mesmo uma ótima oportunidade para a população exercer a cidadania. A bola é pública
é repórter, professor de Pós-graduação em jornalismo esportivo e mestre em Semiótica e Literatura