55 anos de idéia | Por Giandrea Frítoli / UNIP (SP)

55 anos de idéia | Por Giandrea Frítoli / UNIP (SP)

Atualizado em 27/10/2005 às 09:10, por Por: Giandrea Frítoli e  estudante de jornalismo da Universidade Paulista.

No último dia 18 de setembro, a televisão brasileira comemorou os seus 55 anos de história em grande estilo. Para isso, vamos fazer uma retrospectiva dos fatos que mais marcaram a trajetória.

Em 1950, Assis Chateaubriand inaugurou a televisão brasileira que passou por diversas fases devido à prática de realização, ao aprimoramento tecnológico e a utilização do veículo como indústria de comunicação.

A televisão teve a década de 50 como a época do esforço , da improvisação , criatividade, das primeiras conquistas técnicas, das diversas experiências de linguagem, busca de audiência com objetivo de transmitir uma programação que levava em consideração a ética social vigente.

Segundo o radialista Elmo Francfort, 23 anos, a televisão brasileira é o resultado de muito profissionalismo, desde seus primeiros dias. Por mais que a mídia e até livros tentem falar que Tv até 1960 foi uma Tv na base do improviso, foi um grande laboratório que já vinha trazendo raízes de outros meios - como o rádio, o teatro e o cinema - e foi se aperfeiçoando até achar o meio termo, criando as bases do estilo televisivo brasileiro. O que veio depois foram grandes adaptações, reformulações e até mudanças que sofreram influências do tempo, mas que ainda guardam muito do estilo dos primeiros dias da TV. "A televisão em si é um espelho do homem, pois tenta se superar a cada momento. Mas na busca pelos limites, coisas boas e más vieram aos olhos do brasileiro. É aí que entra a questão da qualidade na TV".

A televisão teve como marco às emissoras pioneiras, Tv Tupi, Excelsior, Record , Paulista e Vanguarda. A Tv Tupi lançou o primeiro telejornal do país "Imagens do Dia" que foi ao ar no dia 19 de Setembro de 1950. Com uma linguagem muito diferente, do que a do rádio, que foi conseqüentemente levada para a Tv. No início do telejornalismo, as coberturas externas eram muito raras, pois os equipamentos utilizados eram bem pesados e difíceis de manusear.

O repórter Murillo Alves, que trabalhou na Rede Record descreve como era trabalhar: "Praticamente só tínhamos o estúdio do jornal, que era em uma sala bem pequena com uma câmera e com um monitor. Não havia nem mesa e nem cadeira". "Ficou combinado que cada um procurasse a notícia, parasse tudo e falasse de improviso. Não tinha esse negócio de ler".

Com o aperfeiçoamento da tecnologia, os aparelhos ficaram mais leves e pôde haver reportagens externas.

No início o "Record em Notícias" mostrava apenas o rosto do repórter que às vezes empunhava uma fotografia sobre o fato narrado. Fazer reportagem de campo era tecnicamente impossível, não existia ainda nem câmeras portáteis, nem equipamentos móveis de transmissão.

Já em 1954, o noticiário passou a mostrar filmes de 16min. com o repórter lendo o texto da notícia em off. Quase sempre as notícias eram internacionais.

A atriz Vida Alves, 77 anos, foi a primeira mocinha a encarar uma novela, onde foi realizado o primeiro beijo da televisão brasileira, "escândalo" para a época, embora fosse um beijo leve e delicado. Em "Sua Vida me Pertence" de 1951 acompanhada pelo ator Walter Forster, Vida nos conta que foi uma cena muito diferente, porque nunca tinha acontecido antes, já que tudo que é pioneiro precisa de um pouco de coragem ela foi lá e fez direitinho.

Elmo Fracfort, que atualmente trabalha com pesquisa e consultoria histórica na Pró-TV juntamente com Vida Alves, nos conta como é esta guerreira de sucesso. "Trabalhar com ela é um prazer. É uma grande amiga, uma grande professora. Mas uma professora dessas que todo mundo quer ter, porque a gente aprende e ela aceita também aprender com a gente. É uma troca muito boa de conhecimento".

A Pró-TV em 18 de setembro completou dez anos. A data é simbólica, porque justamente em 18 de setembro de 1950 a televisão nasceu. E também porque uma das primeiras lutas da associação foi pela criação do "Dia Nacional da TV". E conseguimos instituí-la no calendário oficial brasileiro em 2001. "Além disso os pioneiros se reúnem com os profissionais, todos comemoramos e homenageamos anualmente aqueles que fizeram algo pela televisão, sejam décadas atrás ou meses. Por isso a Pró-TV tem como nome de batismo APPITE - Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira, pois agrega a todos. E nosso maior sonho é criar o Museu da Televisão. Luta difícil, mas chegaremos lá. Vida Alves está coletando um acervo dos princípios da Tv brasileira com o intuito de montar um museu", afirma Elmo.

O cinegrafista e também pioneiro Sabá Medeiros, 74 anos começou a fazer trabalhos auxiliares até chegar a profissão de cinegrafista. Trabalhou na Tupi, Gazeta, Rede Globo, Bandeirantes e Cultura. Exerceu o papel de jornalista por 40 anos.Hoje, Sabá está aposentado, mas lembra de reportagens marcantes, como a cobertura da copa do mundo de 50 , os jogos pan-americanos e o programa "Almoço com as Estrelas".

Ermet Novelli, 89 anos também contribuiu para a realização de um grande feito na vida do amigo e companheiro Chateaubriand. Trabalhou nos Diários Associados e auxiliava nos serviços jornalísticos. Nos conta que Chateaubriand era o maior companheiro dos empregados, mesmo sendo o "magnata da Tv brasileira", com os seus 17 jornais e dono dos canais 2 e 4.

E para comemorar 55 anos de história, foi realizado no restaurando Gigetto uma festa com muitas celebridades. O Gigetto brilhou como nos seus áureos tempos, em que o restaurante ficava na frente da Tv Excelsior. As homenageadas foram Lolita Rodrigues, Eva Wilma, Glória Menezes, Geórgia Gomide, Regina Duarte, Laura Cardoso, Márcia Real.

Hoje Vida Alves fora das telinhas faz um trabalho para conscientizar as pessoas da importância da Tv, pois é um veículo muito descartável. "Ela é o retrato da nossa civilização. Que presta um serviço educativo ainda que erre e falhe".

Estamos indo a busca das transmissões digitais, da consciência pela preservação da memória televisiva, pela democratização e moralização da TV. Hoje em dia tem televisão pela Internet, TV que já estão chegando nos celulares, TV a cabo, por satélite, redes regionais .É uma grande feira, onde o telespectador pode escolher o que quer e abandonar o que não quer. A televisão é de fases e é uma velha senhora que não se recorda de ninguém, nem mesmo de quem sempre a ajudou a crescer Afinal, o melhor instrumento para opinar pela qualidade televisiva é mudar de canal. O controle está em suas mãos."