40 anos do "Jornal Nacional"

40 anos do "Jornal Nacional"

Atualizado em 21/04/2009 às 11:04, por Nelson Varón Cadena.

O "Jornal Nacional" comemora em 1 de setembro próximo 40 anos no ar e a Rede Globo já prepara uma programação especial homenageando todas as capitais brasileiras, uma a uma. Referenda as origens do telejornal cujo título nasceu espontaneamente sem a necessidade de uma reunião de pauta com esse objetivo. Conta-se que Alice Maria, então editora do Jornal da Globo que o precedeu, teria desgostado do nome, mas nada ponderou diante do obvio. A idéia que vinha sendo amadurecida há meses dentro da emissora era, mesmo, fazer um jornal nacional nos moldes dos telejornais americanos. Novidade entre nós que ainda vivíamos a era das "faixas" (transmissão de parte da programação via Embratel, no horário matutino) que já era uma evolução em relação à era do "tráfego" (programas gravados em fitas de vídeo-tape que viajavam pelo Brasil para serem distribuídos).

Com o Jornal Nacional nascia o conceito de rede e uma nova era na televisão e na publicidade. A primeira ganhou a exibição de um telejornal em tempo real, através de um precário sistema de links terrestres, via Embratel. Que funcionava razoavelmente embora alguns desses links, eventualmente, desarmassem no meio do caminho, trazendo complicações aos editores. Assunto resolvido a partir de 1983 quando a operação deixou de ser terrestre para ser espacial, através do satélite. Acabava a era do link de microondas e ingressávamos na era do Intelsat. Mas em setembro de 1969 a publicidade também era impactada. Doravante as agências lidariam com a idéia de custo-benefício a partir do conceito audiência-cobertura. E o mercado se rendia às vantagens de atingir dezenas de milhões de telespectadores.

40 anos da trilha sonora
Do Jornal Nacional original nada ficou, nestas quatro décadas transcorridas, a não ser a trilha sonora baseada no The Fuzz, faixa composta por Frank De Vol para o filme The Happening com o Anthony Quinn. Trilha, ainda hoje usada, após sofrer várias adaptações, pelo menos uma vez exibida no seu contexto original (clássico), quando da cobertura dos funerais do Papa João Paulo II. A vinheta com a grafia JN (primeira vez que um telejornal assumia uma sigla) e o símbolo do globo, em preto e branco, evoluía através da pena de Borjalo, já a cores, em 1972 até se modernizar e ganhar recursos de animação pelas mãos de Hans Donner em 1983.

Em relação aos conteúdos o JN inovou eliminando da pauta a cobertura dos acontecimentos sociais, do interesse dos diretores dos veículos e dos anunciantes, padrão seguido por outros telejornais, incluindo o Jornal da Globo. Mas foi tímido, tinha interesses e muito a perder, em relação aos acontecimentos políticos. Daí não ter exibido na sua estréia as imagens da posse dos ministros militares, após a vacância da Presidência da República, (afastamento por doença de Costa e Silva), que era a noticia do dia. Exibiu no lugar o todo-poderoso ministro da Fazenda Delfim Neto tranqüilizando os brasileiros em relação ao feriado bancário por conta da transição. Segundo Armando Nogueira, em vários depoimentos, em torno deste episódio, a Globo correu atrás das imagens, mas não conseguiu acesso ao Palácio.

Mas se a política era divergente na informação e a audiência um patamar a ser conquistado (a preferência do público era o Repórter Esso da TV Tupi, então apresentado por Gontijo Teodoro) o futebol, paixão nacional, unia os brasileiros em torno do mesmo sentimento. Na estréia do JN o país festejou a exibição do gol 979 do Rei Pelé, feito no dia anterior, contra a seleção do Paraguai pelas eliminatórias para a Copa do Mundo do México. A bola foi na rede e a Globo, abençoada pela coincidência, foi no Ibope.