3.999 Isabellas anônimas
3.999 Isabellas anônimas
Longe de ser um caso único no Brasil, o assassinato de Isabella Nardoni mobilizou mídia e público, dando à cobertura jornalística contornos de um roteiro dramático
Nos últimos oito anos, 159.174 crianças sofreram agressões domésticas. Estima-se que o número, por si mesmo assustador, seja ainda maior, já que muitos casos sequer são denunciados. As estatísticas apontam, ainda, que 40 mil dessas crianças ficam em estado grave e cerca de 4 mil morrem a cada ano no país, segundo dados divulgados pela ANDI, Agência de Notícias dos Direitos da Infância. São, portanto, mais de 10 por dia. De acordo com a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em 70% dos casos de violência infantil, os agressores são os país biológicos.
Mesmo com tantos casos registrados, um deles mobilizou a mídia nacional e sensibilizou a população brasileira. Trata-se de Isabella de Oliveira Nardoni que, aos cinco anos, no último dia 29 de março, foi espancada e atirada do 6º andar do prédio em que vivem seu pai e sua madrasta. Ambos foram apontados como principais suspeitos e indiciados por homicídio triplamente qualificado.
O comportamento da imprensa neste caso tem gerado muita polêmica e discussões nas redações e fora delas. Veículos de comunicação são acusados pelos próprios indiciados de manipular a opinião pública e incitar o ódio contra a família Nardoni. Por outro lado, o caso tem sido o responsável pela oscilação da audiência das redes de TV abertas. O jornal O Estado de S. Paulo revelou que, ao abandonar o caso Isabella, instantaneamente as emissoras perdiam a audiência. De acordo com dados do Ibope, das 7h às 12h, o número de televisores ligados na Grande São Paulo subiu da média de 26 pontos para 30, em razão da cobertura do caso.
Leia matéria completa na edição 234 de IMPRENSA






