Áudios de Flávio com Vorcaro explodem pretensões de “Dark Horse”
Clã acreditava que filme pudesse furar a bolha e ser levado a sério
Detalhes do cartaz de divulgação do filme Dark Horse (fotomontagem)
Por Pedro Venceslau*
As constrangedoras conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o senador apostava no filme “Dark Horse” como um ativo eleitoral poderoso.
Os mais entusiasmados viam o longa como uma produção audiovisual de primeira linha e afirmavam que a produção seria levada a sério no ecossistema dos festivais internacionais.
O cartão de visita era o ator norte-americano Jim Caviezel, que fez “Paixão de Cristo” e “Som da Liberdade”. O filme, porém, começou a se tornar famoso por outros motivos.
O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP) recebeu relatos de agressões, dificuldades estruturais e condições de trabalho inadequadas no set de gravação.
Quando as primeiras cenas foram divulgadas, a impressão foi de um filme com aparência tosca, trilha sonora pesada e atuações sofríveis.
Nada disso abalou o otimismo da ultra direita. Mas aí surgiram os áudios revelados pelo Intercept Brasil e o filme se tornou objeto de curiosidade por outros motivos.
Será que essa “obra” justifica os custos supostamente envolvidos? O filme, afinal, custou muito mais caro que obras consagradas que disputaram o Oscar.
O cronograma de lançamento está mantido, apesar de não constar ainda registro na Ancine, mas tudo indica que a fila da pipoca será formada por bolsonaristas da bolha ou curiosos.
“Dark Horse” definitivamente não será levado a sério pela crítica e o efeito político não será o esperado.◼

*Pedro Venceslau foi diretor de redação de IMPRENSA e, hoje, é analista da CNN Brasil.





