Áudios de Flávio com Vorcaro explodem pretensões de “Dark Horse”

Clã acreditava que filme pudesse furar a bolha e ser levado a sério

Atualizado em 15/05/2026 às 18:05, por Colunista.

Imagem composta por vários recortes sobrepostos de um cartaz de filme. Ao centro aparece o título “Dark Horse” em letras grandes e escuras, com o nome “Jim Caviezel” acima. O fundo mostra um céu nublado e dramático, em tons de cinza, com aves voando. Em diferentes partes da montagem aparecem pedaços do rosto e do corpo de um homem usando terno escuro e faixa presidencial verde e amarela.

Detalhes do cartaz de divulgação do filme Dark Horse (fotomontagem)


Por Pedro Venceslau* 

As constrangedoras conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o senador apostava no filme “Dark Horse” como um ativo eleitoral poderoso

Os mais entusiasmados viam o longa como uma produção audiovisual de primeira linha e afirmavam que a produção seria levada a sério no ecossistema dos festivais internacionais.   

O cartão de visita era o ator norte-americano Jim Caviezel, que fez “Paixão de Cristo” e “Som da Liberdade”. O filme, porém, começou a se tornar famoso por outros motivos. 

O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP) recebeu relatos de agressões, dificuldades estruturais e condições de trabalho inadequadas no set de gravação

Quando as primeiras cenas foram divulgadas, a impressão foi de um filme com aparência tosca, trilha sonora pesada e atuações sofríveis. 

Nada disso abalou o otimismo da ultra direita. Mas aí surgiram os áudios revelados pelo Intercept Brasil e o filme se tornou objeto de curiosidade por outros motivos. 

Será que essa “obra” justifica os custos supostamente envolvidos? O filme, afinal, custou muito mais caro que obras consagradas que disputaram o Oscar.

Pedro Venceslau

O cronograma de lançamento está mantido, apesar de não constar ainda registro na Ancine, mas tudo indica que a fila da pipoca será formada por bolsonaristas da bolha ou curiosos. 

“Dark Horse” definitivamente não será levado a sério pela crítica e o efeito político não será o esperado.◼
 

*Pedro Venceslau foi diretor de redação de IMPRENSA e, hoje, é analista da CNN Brasil.