Venezuelanos criticam cobertura da imprensa e alegam que país sofre "apagão informativo"

Opositores do governo de Nicolás Maduro vêm criticando duramente a cobertura da mídia tradicional venezuelana sob a alegação de que o país está sofrendo um "apagão" informativo.

Atualizado em 17/02/2014 às 10:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Eles questionam a falta de abordagem de notícias que possam prejudicar a imagem do presidente, resultado do que avaliam como um "alinhamento" da imprensa com o poder.
Crédito:Reprodução Governo tem bloqueado imagens e vídeos de protestos nas redes sociais
De acordo com a BBC, os opositores responsabilizam o governo de praticar uma "censura" nas redes sociais, meio encontrado por milhares de venezuelanos para reclamar dos meios de comunicação e divulgar o que, segundo eles, não é veiculado por rádios e TVs.
As recentes falhas técnicas no Twitter também elevaram as críticas. Usuários relataram ter tido dificuldades de publicar fotos e vídeos após uma marcha estudantil na capital Caracas que acabou em três mortes, dezenas de feridos e manifestantes presos.
A companhia americana alegou que teve problemas na Venezuela e creditou a pane à Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela (CANTV), a estatal que também oferece serviços de Internet. "Confirmamos que imagens vêm sendo bloqueadas no Twitter na Venezuela. Acreditamos que o governo esteja por trás disso", afirmou o porta-voz Un Wexler.
No entanto, esta não é a primeira vez que os meios de comunicação venezuelanos são acusados de "ocultar" informações. Entre os dias 11 e 13 de abril de 2002, quando uma tentativa de golpe tirou o ex-presidente Hugo Chávez do poder, os principais canais de televisão, rádios e jornais foram criticados por não cobrir protestos chavistas cobrando a reintegração governo.
Críticos avaliam que a imprensa vem praticando o que chamam de "autocensura" por conta dos termos da lei de Responsabilidade Social em Rádio, Televisão e Oriente Eletrônica ou "Lei da Primavera", como é conhecida entre a população. A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) pediu aos veículos que cumprissem o artigo 27 da lei, que proíbe a apologia ao ódio e à violência. Para eles, o tema é muito amplo e provoca confusões.