Séries sobre astros da Copa expõem abismo entre Mbappé, Ronaldo, Messi e Neymar
Filme sobre atleta do Santos exalta ego, mostra falta de empatia e contrasta com heróis da Argentina, Portugal e França
Cena do documentário “Neymar: O caos perfeito” (Divulgação)
Pedro Venceslau*
Enquanto a Copa do Mundo de 2026 divide seus holofotes entre Kylian Mbappé, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, Neymar Jr. é alvo de piadas até do presidente da República.
Em um lapso de “sincericídio” que virou pauta eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) replicou ao microfone a piada que viralizou nas redes: o atleta do Santos foi o primeiro a treinar em “home office”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) não perdeu tempo e saiu em defesa do atleta bolsonarista nas redes sociais.
Esse episódio joga luz sobre um dos aspectos que rondam o astro do Santos.
Ao se posicionar reiteradas vezes em um dos lados da polarização, Neymar atraiu a rejeição ou antipatia de quem está na outra metade do espectro.
Em tempo: o ídolo Oscar entrou para a política e virou malufista após se aposentar, mas depois se arrependeu.
A antipatia em relação ao Neymar, porém, não está circunscrita à esquerda. Tem muita gente de direita e de centro que também rejeita o jogador.
Um sobrevoo sobre as séries documentais dos astros da Copa mostra o abismo na personalidade entre o atacante do Santos e os demais.
“A Copa do Mundo de Messi – A ascensão da lenda”, do Prime, é um épico com final feliz que revela a leveza e empatia do argentino.
“Ronaldo”, da Netflix, mergulha na intimidade do português e surpreende pela solidão de sua busca pela perfeição, pela trajetória de superação e aspecto combativo de sua trajetória.
“Kylian Mbappé: Rising Star”, disponível no Prime Video, detalha a ascensão meteórica do jogador desde os subúrbios de Paris até o estrelato global.
Já “Neymar: O caos perfeito”, da Netflix, exalta o ego do jogador, a falta de empatia e tenta justificar a imensa lista de polêmicas que cercam o atleta.
Enquanto Neymar aparece no noticiário esbanjando dinheiro e jogando pôquer, os outros passam a imagem de superação.◼

*Pedro Venceslau foi diretor de redação de IMPRENSA e, hoje, é analista da CNN Brasil.





