Repórteres debatem criminalização da cobertura jornalística no Brasil
No dia 18 de maio de 2000 o fotojornalista Alex Silveira cobria uma manifestação de Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo
Atualizado em 01/10/2014 às 16:10, por
Jéssica Oliveira.
(Apoesp) na avenida Paulista (SP). Ele levou um tiro de bala de borracha disparado pela Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) e perdeu a visão do olho esquerdo. Mais de 14 anos depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) culpou o profissional pelo dano que sofreu e negou-lhe indenização.
Por mera coincidência, há pouco mais de um ano, no famoso dia 13 de junho de 2013, o fotojornalista Sérgio Silva cobria uma manifestação do Movimento Passe Livre como freelancer para a agência Futura Press e levou um tiro de bala de borracha disparado pela PM. Ele também perdeu a visão do olho esquerdo e aguarda Justiça.
A exibição do encontro entre os dois profissionais, registrado no vídeo , abriu o debate “Criminalização da cobertura jornalística” com Marlene Bergamo, fotojornalista da Folha de S. Paulo ; Laura Capriglione, jornalista da Ponte; Daniel Teixeira, fotojornalista do O Estado de S. Paulo , e mediação de Renato Rovai, diretor da revista Fórum e professor de jornalismo. Crédito: Frames do vídeo "O Estado que arranca os olhos, exibido no debate" “O Alex está numa situação muito ruim. Ele perdeu a causa e vai recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Se ele demorou 14 anos para chegar no TJ, vai levar uns 30 para chegar ao Supremo”, lamentou. “Por isso, nós, fotógrafos e jornalistas, estamos tentando ajudar, vamos fazer um monte de protestos”, comentou Marlene.
Laura Capriglione, atualmente na Ponte, defendeu a presença da imprensa na cobertura dos movimentos sociais e criticou a decisão da Justiça que condenou Silveira "por não deixar o local ao se deparar com o confronto entre manifestantes e a PM". “A função do jornalista é estar no meio. Quem não está no meio, está de um lado e vira porta-voz. Quando o TJ-SP decide isso, nega o papel da própria imprensa”, afirmou.
Para a jornalista, no entanto, a falha da Justiça nesse caso faz parte de um problema muito maior, de erros causados pela arbitrariedade que norteia o sistema. “Dizem que o Brasil é o país da impunidade. Não é. Ele pune e pune fortemente. Tem a terceira maior população carcerária do mundo e a que mais cresce. Os jornalistas estando no meio também serão vítimas. A única opção que temos é lutar contra a injustiça. E Justiça se discute sim”.
Já Daniel Teixeira, do Estadão , acredita que a decisão da Justiça contra o fotojornalista faz parte de um esforço para conter as vozes. “O jornalista é visto como algo que incomoda”. Crédito: Daniel Teixeira, Laura Capriglione, Renato Rovai e Marlene Bergamo Nas manifestações Marlene, que cobriu todas os protestos de junho de 2013, exceto o primeiro, falou sobre a sua percepção do que acontece nessas situações. Para ela, não é que o jornalista seja alvo, mas uma vez que está registrando e cobrindo, passa a ser alvo. “Ninguém está em guerra com ninguém. Estar numa manifestação não é motivo para ser baleado, seja jornalista ou manifestante”, defendeu.
Teixeira também falou sobre a sua experiência pessoal durante as jornadas de junho de 2013, em que num determinado dia viu o acordo entre manifestantes e polícia ser quebrado instantes depois de ser firmado. “Foi combinado que a polícia só ia acompanhar. Quando cada um virou para o seu lado começou a sair tiro de borracha”, lembra. “A impressão que eu fiquei é que a PM não tem preparo nenhum para lidar com manifestações. Você não sentia ali uma polícia que queria manter a ordem”.
Falta união Os jornalistas também criticaram a dificuldade de mobilizar a classe para lutar contra a criminalização da cobertura, mesmo depois da decisão judicial no caso de Silveira. “Qualquer outra classe sairia para a rua para protestar, mas a nossa não”, lamentou Teixeira.
Ao final, Marlene convidou os presentes a participar de uma do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) com a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo (ARFOC) para reforçar a que tem como objetivo tentar reverter a decisão do TJ-SP. A reunião acontece nessa quarta-feira (01/10), às 20h, no auditório do SJSP em São Paulo (Rua Regro Freitas, 530 - sobreloja).
Semana de Jornalismo O debate aconteceu na última terça-feira (30/09), em São Paulo, e faz parte da , que vai até a próxima sexta-feira (03/10).
Organizado pela coordenadoria de jornalismo em parceria com a representação discente, evento é voltado para profissionais e alunos de jornalismo da instituição, alunos dos outros cursos da faculdade que queiram saber mais sobre os temas discutidos e público externo. Para se inscrever envie um e-mail para eventos@fcl.com.br com nome, RG, nome da instituição que representa e quais mesas deseja acompanhar. Em seguida, basta aguardar a confirmação.
Por mera coincidência, há pouco mais de um ano, no famoso dia 13 de junho de 2013, o fotojornalista Sérgio Silva cobria uma manifestação do Movimento Passe Livre como freelancer para a agência Futura Press e levou um tiro de bala de borracha disparado pela PM. Ele também perdeu a visão do olho esquerdo e aguarda Justiça.
A exibição do encontro entre os dois profissionais, registrado no vídeo , abriu o debate “Criminalização da cobertura jornalística” com Marlene Bergamo, fotojornalista da Folha de S. Paulo ; Laura Capriglione, jornalista da Ponte; Daniel Teixeira, fotojornalista do O Estado de S. Paulo , e mediação de Renato Rovai, diretor da revista Fórum e professor de jornalismo. Crédito: Frames do vídeo "O Estado que arranca os olhos, exibido no debate" “O Alex está numa situação muito ruim. Ele perdeu a causa e vai recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Se ele demorou 14 anos para chegar no TJ, vai levar uns 30 para chegar ao Supremo”, lamentou. “Por isso, nós, fotógrafos e jornalistas, estamos tentando ajudar, vamos fazer um monte de protestos”, comentou Marlene.
Laura Capriglione, atualmente na Ponte, defendeu a presença da imprensa na cobertura dos movimentos sociais e criticou a decisão da Justiça que condenou Silveira "por não deixar o local ao se deparar com o confronto entre manifestantes e a PM". “A função do jornalista é estar no meio. Quem não está no meio, está de um lado e vira porta-voz. Quando o TJ-SP decide isso, nega o papel da própria imprensa”, afirmou.
Para a jornalista, no entanto, a falha da Justiça nesse caso faz parte de um problema muito maior, de erros causados pela arbitrariedade que norteia o sistema. “Dizem que o Brasil é o país da impunidade. Não é. Ele pune e pune fortemente. Tem a terceira maior população carcerária do mundo e a que mais cresce. Os jornalistas estando no meio também serão vítimas. A única opção que temos é lutar contra a injustiça. E Justiça se discute sim”.
Já Daniel Teixeira, do Estadão , acredita que a decisão da Justiça contra o fotojornalista faz parte de um esforço para conter as vozes. “O jornalista é visto como algo que incomoda”. Crédito: Daniel Teixeira, Laura Capriglione, Renato Rovai e Marlene Bergamo Nas manifestações Marlene, que cobriu todas os protestos de junho de 2013, exceto o primeiro, falou sobre a sua percepção do que acontece nessas situações. Para ela, não é que o jornalista seja alvo, mas uma vez que está registrando e cobrindo, passa a ser alvo. “Ninguém está em guerra com ninguém. Estar numa manifestação não é motivo para ser baleado, seja jornalista ou manifestante”, defendeu.
Teixeira também falou sobre a sua experiência pessoal durante as jornadas de junho de 2013, em que num determinado dia viu o acordo entre manifestantes e polícia ser quebrado instantes depois de ser firmado. “Foi combinado que a polícia só ia acompanhar. Quando cada um virou para o seu lado começou a sair tiro de borracha”, lembra. “A impressão que eu fiquei é que a PM não tem preparo nenhum para lidar com manifestações. Você não sentia ali uma polícia que queria manter a ordem”.
Falta união Os jornalistas também criticaram a dificuldade de mobilizar a classe para lutar contra a criminalização da cobertura, mesmo depois da decisão judicial no caso de Silveira. “Qualquer outra classe sairia para a rua para protestar, mas a nossa não”, lamentou Teixeira.
Ao final, Marlene convidou os presentes a participar de uma do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) com a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo (ARFOC) para reforçar a que tem como objetivo tentar reverter a decisão do TJ-SP. A reunião acontece nessa quarta-feira (01/10), às 20h, no auditório do SJSP em São Paulo (Rua Regro Freitas, 530 - sobreloja).
Semana de Jornalismo O debate aconteceu na última terça-feira (30/09), em São Paulo, e faz parte da , que vai até a próxima sexta-feira (03/10).
Organizado pela coordenadoria de jornalismo em parceria com a representação discente, evento é voltado para profissionais e alunos de jornalismo da instituição, alunos dos outros cursos da faculdade que queiram saber mais sobre os temas discutidos e público externo. Para se inscrever envie um e-mail para eventos@fcl.com.br com nome, RG, nome da instituição que representa e quais mesas deseja acompanhar. Em seguida, basta aguardar a confirmação.





