Opinião: “Em que mãos estamos”, por Heródoto Barbeiro
Era para ser grátis. O seu desenvolvimento foi identificado com um custo marginal próximo de zero. Pendurar mais um computador ou smartphone
Atualizado em 18/10/2017 às 13:10, por
Heródoto Barbeiro.
Crédito:Edu Morais na rede custaria quase nada. Tudo parecia perfeito com o advento da terceira onda de transformação tecnológica. Contudo, ela trouxe dentro de si sua própria contradição.
As oportunidades de novos negócios na web móvel destruíram a gratuidade da internet que passou a ser monetizada das formas mais diversas. O que parecia ser uma imensa rede capilar com inúmeros emissores e receptores de informações foi apropriada por um pequeno número de plataformas. Entre elas, pontificam o Facebook, Google, Twitter, Yahoo e Verizon.
Essas empresas chegaram com uma voracidade nunca vista sobre as verbas publicitárias e juntaram mais de 65% de tudo o que se investe na rede. No topo estão Google e o Facebook, que desenvolvem produtos que conquistam cada vez mais investimentos. Isto já acendeu a luz vermelha nos departamentos de receitas de países europeus e de organizações jornalísticas que temem um duopólio na difusão e geração de notícias em âmbito mundial. Subsidiarias dessas empresas produzem equipamentos que traduzem o texto e o áudio em tempo recorde de qualquer língua para qualquer língua. Ou, pelo menos, do inglês para os quatro idiomas mais falados do mundo.
O controle da rede saiu de muitas mãos para as mãos de poucos. Uma das contradições geradas é que as receitas da mídia tradicional - TV, rádio, jornal e revista – baseadas na publicidade, classificados e assinaturas, migraram para as novas mídias.
As agência publicitárias avaliaram como mais eficazes os anúncios exibidos nas grandes plataformas e houve uma transferência sensível dos investimentos nas novas mídias. Os assinantes na web não são lucrativos como os que assinam as plataformas tradicionais. Assim, verifica-se uma queda de faturamento dessas empresas que atualmente estão em um planeio, mas podem a qualquer momento sofrer um estol e ao invés de um pouso suave no aeroporto do resultado, cair de bico na cabeceira da pista. Ficaram à mercê do poderoso Facebook.
A plataforma transformou-se na responsável pela maior influência sobre o consumo de notícias no mundo. Portanto, andam na prancha, de mãos dadas, os núcleos de marketing, comercial e jornalismo. Publicitários e jornalistas estão na mira dessas mudanças.
A passagem para as mídias digitais dos produtos das mídias tradicionais tiveram a força da movimentação de placas tectônicas para publicitários e jornalistas. Estes estão ligados umbilicalmente nas empresas. Sonhavam que seria possível encontrar uma saída para que o ecossistema tradicional se mantivesse. Contudo, a publicação de material multimídia de qualquer lugar, jornalismo interativo, podcasts e crowdsourcing deram uma esperança para propagação plural de notícias e os bancos de dados proporcionariam oportunidades para a construção de reportagens.
É verdade que o choque foi sentido nas redações e nos departamentos de vendas. Ambos tiveram o número de profissionais reduzidos. Os publicitários com a queda do faturamento e os jornalistas com o advento de uma tecnologia que proporciona executar várias atividades ao mesmo tempo, como produzir e editar uma reportagem e colocá-la no ar.
Na redação da CNN, em Atlanta, onde estive em estágio, me surpreendeu que, além dessas funções, o jornalista que me ajudou também me colocou o microfone, acendeu às luzes, chamou a maquiadora e avisou a técnica que eu estava pronto para fazer uma entrada ao vivo no Jornal de Record News. Detalhe: a câmara estava travada, sem ninguém.
* é âncora do Jornal da Record News e professor emérito da ESPM
Saiba mais:
As oportunidades de novos negócios na web móvel destruíram a gratuidade da internet que passou a ser monetizada das formas mais diversas. O que parecia ser uma imensa rede capilar com inúmeros emissores e receptores de informações foi apropriada por um pequeno número de plataformas. Entre elas, pontificam o Facebook, Google, Twitter, Yahoo e Verizon.
Essas empresas chegaram com uma voracidade nunca vista sobre as verbas publicitárias e juntaram mais de 65% de tudo o que se investe na rede. No topo estão Google e o Facebook, que desenvolvem produtos que conquistam cada vez mais investimentos. Isto já acendeu a luz vermelha nos departamentos de receitas de países europeus e de organizações jornalísticas que temem um duopólio na difusão e geração de notícias em âmbito mundial. Subsidiarias dessas empresas produzem equipamentos que traduzem o texto e o áudio em tempo recorde de qualquer língua para qualquer língua. Ou, pelo menos, do inglês para os quatro idiomas mais falados do mundo.
O controle da rede saiu de muitas mãos para as mãos de poucos. Uma das contradições geradas é que as receitas da mídia tradicional - TV, rádio, jornal e revista – baseadas na publicidade, classificados e assinaturas, migraram para as novas mídias.
As agência publicitárias avaliaram como mais eficazes os anúncios exibidos nas grandes plataformas e houve uma transferência sensível dos investimentos nas novas mídias. Os assinantes na web não são lucrativos como os que assinam as plataformas tradicionais. Assim, verifica-se uma queda de faturamento dessas empresas que atualmente estão em um planeio, mas podem a qualquer momento sofrer um estol e ao invés de um pouso suave no aeroporto do resultado, cair de bico na cabeceira da pista. Ficaram à mercê do poderoso Facebook.
A plataforma transformou-se na responsável pela maior influência sobre o consumo de notícias no mundo. Portanto, andam na prancha, de mãos dadas, os núcleos de marketing, comercial e jornalismo. Publicitários e jornalistas estão na mira dessas mudanças.
A passagem para as mídias digitais dos produtos das mídias tradicionais tiveram a força da movimentação de placas tectônicas para publicitários e jornalistas. Estes estão ligados umbilicalmente nas empresas. Sonhavam que seria possível encontrar uma saída para que o ecossistema tradicional se mantivesse. Contudo, a publicação de material multimídia de qualquer lugar, jornalismo interativo, podcasts e crowdsourcing deram uma esperança para propagação plural de notícias e os bancos de dados proporcionariam oportunidades para a construção de reportagens.
É verdade que o choque foi sentido nas redações e nos departamentos de vendas. Ambos tiveram o número de profissionais reduzidos. Os publicitários com a queda do faturamento e os jornalistas com o advento de uma tecnologia que proporciona executar várias atividades ao mesmo tempo, como produzir e editar uma reportagem e colocá-la no ar.
Na redação da CNN, em Atlanta, onde estive em estágio, me surpreendeu que, além dessas funções, o jornalista que me ajudou também me colocou o microfone, acendeu às luzes, chamou a maquiadora e avisou a técnica que eu estava pronto para fazer uma entrada ao vivo no Jornal de Record News. Detalhe: a câmara estava travada, sem ninguém.
* é âncora do Jornal da Record News e professor emérito da ESPM
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