Opinião: “Continue a nadar...”, por Carlos Henrique Carvalho
E a frase de Dory, que nunca me saiu da cabeça, voltou com força em meio à crise generalizada e de proporções oceânicas provocada pela disse
Atualizado em 24/04/2020 às 10:04, por
Carlos Henrique Carvalho.
Crédito:Pixabay
Quando Procurando Nemo , filme de animação da Pixar, foi lançado, em 2003, meu filho mais velho tinha dois anos de idade. Isso significa que comprei fita VHS (nossa, como o tempo passa), depois o DVD com os extras, bonecos do Nemo dos mais variados tamanhos e materiais, além de tubarões, barcos e tudo que pudesse lembrar uma aventura marítima. E ainda assisti ao filme pelo menos umas 200 vezes, o que me permitiu decorar parte significativa do roteiro da trama do peixinho capturado por um dentista de Sidney e da busca que seu pai, Marlín e a amiga Dory fazem no longo caminho entre a barreira de corais e a bela baía da cidade australiana. No meio dessa viagem, entre embates com peixes das profundezas, encontros com águas-vivas mortais, amizades pouco usuais com tubarões e uma providencial carona no estômago de uma baleia, Dory e Marlín passam por poucas e boas. Há um momento em que o pai de Nemo dá tudo por perdido e Dory, otimista e corajosa, embora às vezes involuntariamente, diz:
- Continue a nadar. Nadar. Para achar a solução, continue a nadar.
O desfecho da história encantou milhões pelo mundo. minação do coronavírus pelo mundo. E esse conselho de Dory tem muito a ver com o papel que a comunicação pode e deve desempenhar nas organizações durante a longa jornada de travessia da crise. É preciso, de alguma forma, continuar a nadar. Isso não implica deixar de seguir rigidamente as orientações da Organização Mundial da Saúde e nem desrespeitar as medidas de restrição à circulação e de isolamento social. Os números da pandemia não são uma fake news e só com muito controle vamos minimizar os danos. Mas o que fazer com empresas, e organizações em geral, que estão com negócios em marcha lenta ou simplesmente paralisado? Como setores duramente atingidos, como os de cultura, lazer e turismo podem buscar formas de sobrevivência não apenas financeira, mas também de presença de suas marcas, produtos, serviços e propósitos diante de seus públicos que estão reclusos em casa e mudando hábitos de consumo?
Uma das chaves centrais passa pela comunicação. É preciso continuar a nadar, buscando, talvez, novos modos de se movimentar. Pesquisa da Kantar Ibope Media mostra que 81% dos consumidores querem que as marcas continuem se comunicando. Mas desejam que as mensagens sejam menos de venda e mais de prestação de serviços. Presas em casa, consumindo loucamente mídias as mais variadas, as pessoas se veem perdidas em um tiroteio de informações desconexas, povoado de perigosas fake news . E as organizações podem ser canais institucionais importantes para iluminar os caminhos de quem está se sentindo no escuro.
Por isso, é o momento de investir nos canais digitais, organizar conteúdos nos portais e redes sociais das organizações, buscar palavras de especialistas confiáveis, mostrar o que a empresa está fazendo em meio à crise. E, claro, se houver a possibilidade de manter os meios de venda a distância, oferecer produtos e serviços com segurança para quem compra e também para quem vende.
Nesse contexto, a comunicação se torna a essência de uma organização. Ela pode continuar a vender produtos, oferecer serviços, migrar seu acervo físico para o digital. Mas é preciso que ela mostre o que está fazendo, mantenha canais abertos para o diálogo, atenda seus públicos estratégicos com prontidão. Em outras palavras, as organizações, hoje, são também portais de comunicação, lugares onde vamos procurar informações, buscar respostas seguras e bem fundamentadas. Isso exige investimento, mobilização do corpo técnico, segurança jurídica e a atuação de profissionais de comunicação atentos e de prontidão para manter a marca e a reputação da empresa em alta.
Como tudo tem o seu porém, assistimos com perplexidade a muitas empresas fazendo cortes nos investimentos em comunicação. É uma prática suicida, que vai cobrar a conta lá adiante, quando a vida começar a voltar ao normal. Pois será ali que o consumidor e o cidadão terão as melhores lembranças daquelas organizações que estiveram presentes o tempo todo. A quem promove os cortes, um alerta: você não está presente, mas seu concorrente pode estar neste momento ganhando pontos junto aos públicos que antes eram fiéis à sua marca.
Por isso, a recomendação: continue a nadar!
Crédito:Divulgação / Abracom
*Sobre o autor: é Presidente-Executivo da Associação Brasileira das Agências de Comunicação – Abracom. Jornalista graduado pela PUC/SP, cursou especialização em gestão de empresas de comunicação na Fundação Dom Cabral. Foi produtor, roteirista e diretor de programas de jornalismo, educação, debates políticos e temas acadêmicos para os canais Sesc/Senac, Record, Gazeta e Cultura. Produziu vídeos para os movimentos sociais da periferia de São Paulo e atuou na equipe de comunicação da Prefeitura de São Paulo na gestão de Luiza Erundina (1989-1992) com ênfase em educação, urbanismo, meio ambiente, diversidade, transporte e planejamento. É co-autor do , dedicado a resenhas sobre literatura e a paixão por livros.
Quando Procurando Nemo , filme de animação da Pixar, foi lançado, em 2003, meu filho mais velho tinha dois anos de idade. Isso significa que comprei fita VHS (nossa, como o tempo passa), depois o DVD com os extras, bonecos do Nemo dos mais variados tamanhos e materiais, além de tubarões, barcos e tudo que pudesse lembrar uma aventura marítima. E ainda assisti ao filme pelo menos umas 200 vezes, o que me permitiu decorar parte significativa do roteiro da trama do peixinho capturado por um dentista de Sidney e da busca que seu pai, Marlín e a amiga Dory fazem no longo caminho entre a barreira de corais e a bela baía da cidade australiana. No meio dessa viagem, entre embates com peixes das profundezas, encontros com águas-vivas mortais, amizades pouco usuais com tubarões e uma providencial carona no estômago de uma baleia, Dory e Marlín passam por poucas e boas. Há um momento em que o pai de Nemo dá tudo por perdido e Dory, otimista e corajosa, embora às vezes involuntariamente, diz:
- Continue a nadar. Nadar. Para achar a solução, continue a nadar.
O desfecho da história encantou milhões pelo mundo. minação do coronavírus pelo mundo. E esse conselho de Dory tem muito a ver com o papel que a comunicação pode e deve desempenhar nas organizações durante a longa jornada de travessia da crise. É preciso, de alguma forma, continuar a nadar. Isso não implica deixar de seguir rigidamente as orientações da Organização Mundial da Saúde e nem desrespeitar as medidas de restrição à circulação e de isolamento social. Os números da pandemia não são uma fake news e só com muito controle vamos minimizar os danos. Mas o que fazer com empresas, e organizações em geral, que estão com negócios em marcha lenta ou simplesmente paralisado? Como setores duramente atingidos, como os de cultura, lazer e turismo podem buscar formas de sobrevivência não apenas financeira, mas também de presença de suas marcas, produtos, serviços e propósitos diante de seus públicos que estão reclusos em casa e mudando hábitos de consumo?
Uma das chaves centrais passa pela comunicação. É preciso continuar a nadar, buscando, talvez, novos modos de se movimentar. Pesquisa da Kantar Ibope Media mostra que 81% dos consumidores querem que as marcas continuem se comunicando. Mas desejam que as mensagens sejam menos de venda e mais de prestação de serviços. Presas em casa, consumindo loucamente mídias as mais variadas, as pessoas se veem perdidas em um tiroteio de informações desconexas, povoado de perigosas fake news . E as organizações podem ser canais institucionais importantes para iluminar os caminhos de quem está se sentindo no escuro.
Por isso, é o momento de investir nos canais digitais, organizar conteúdos nos portais e redes sociais das organizações, buscar palavras de especialistas confiáveis, mostrar o que a empresa está fazendo em meio à crise. E, claro, se houver a possibilidade de manter os meios de venda a distância, oferecer produtos e serviços com segurança para quem compra e também para quem vende.
Nesse contexto, a comunicação se torna a essência de uma organização. Ela pode continuar a vender produtos, oferecer serviços, migrar seu acervo físico para o digital. Mas é preciso que ela mostre o que está fazendo, mantenha canais abertos para o diálogo, atenda seus públicos estratégicos com prontidão. Em outras palavras, as organizações, hoje, são também portais de comunicação, lugares onde vamos procurar informações, buscar respostas seguras e bem fundamentadas. Isso exige investimento, mobilização do corpo técnico, segurança jurídica e a atuação de profissionais de comunicação atentos e de prontidão para manter a marca e a reputação da empresa em alta.
Como tudo tem o seu porém, assistimos com perplexidade a muitas empresas fazendo cortes nos investimentos em comunicação. É uma prática suicida, que vai cobrar a conta lá adiante, quando a vida começar a voltar ao normal. Pois será ali que o consumidor e o cidadão terão as melhores lembranças daquelas organizações que estiveram presentes o tempo todo. A quem promove os cortes, um alerta: você não está presente, mas seu concorrente pode estar neste momento ganhando pontos junto aos públicos que antes eram fiéis à sua marca.
Por isso, a recomendação: continue a nadar!
Crédito:Divulgação / Abracom
*Sobre o autor: é Presidente-Executivo da Associação Brasileira das Agências de Comunicação – Abracom. Jornalista graduado pela PUC/SP, cursou especialização em gestão de empresas de comunicação na Fundação Dom Cabral. Foi produtor, roteirista e diretor de programas de jornalismo, educação, debates políticos e temas acadêmicos para os canais Sesc/Senac, Record, Gazeta e Cultura. Produziu vídeos para os movimentos sociais da periferia de São Paulo e atuou na equipe de comunicação da Prefeitura de São Paulo na gestão de Luiza Erundina (1989-1992) com ênfase em educação, urbanismo, meio ambiente, diversidade, transporte e planejamento. É co-autor do , dedicado a resenhas sobre literatura e a paixão por livros.





