Jornalistas de cinco países são homenageados no Prêmio RSF 2026

Repórteres Sem Fronteiras premia jornalistas e fotojornalistas por coragem, impacto e independência ao redor do mundo

Atualizado em 02/06/2026 às 11:06, por Redação.

Montagem com os cinco vencedores do Prêmio Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a Liberdade de Imprensa 2026 sobre fundo preto. No topo, aparecem o fotojornalista birmanês Sai Zaw Thaike, à esquerda, a jornalista argentina Julia Mengolini, ao centro, e o jornalista moçambicano Carlitos Cadangue, à direita. Na parte inferior, estão o fotojornalista palestino Abdul Hakim Abu Riash, à esquerda, e o jornalista guineense Habib Marouane Camara, à direita. Os retratos estão destacados por contornos em rosa e identificados com seus nomes e países de origem.

Os cinco vencedores do Prêmio Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a Liberdade de Imprensa 2026


A 34ª edição do Prêmio Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a Liberdade de Imprensa, realizada em 1º de junho durante o 77º World News Media Congress, no Palais du Pharo, em Marselha, homenageou profissionais que se destacaram na defesa da liberdade de imprensa em diferentes regiões do mundo.

Os vencedores foram o fotojornalista birmanês Sai Zaw Thaike (Coragem), o jornalista moçambicano Carlitos Cadangue (Impacto), a jornalista argentina Julia Mengolini (Independência), o jornalista guineense Habib Marouane Camara (Prêmio RSF–Mohamed Maïga de Jornalismo Investigativo Africano) e o fotojornalista palestino Abdul Hakim Abu Riash (Prêmio Lucas Dolega–SAIF de Fotografia).

No histórico da premiação não há jornalistas brasileiros.

Apresentada pelo diretor-geral da RSF, Thibaut Bruttin, a cerimônia reuniu representantes da imprensa internacional, entre eles o fotógrafo Arnaud Février, da SAIF (Sociedade de Autores de Artes Visuais e Imagens Estáticas), e a atriz e diretora Aïssa Maïga, responsável pela entrega do prêmio de jornalismo investigativo africano que leva o nome de seu pai, o jornalista malinês Mohamed Maïga.

Nesta edição, 28 candidatos de 25 países concorreram em cinco categorias: coragem, impacto, independência, mas também o prêmio Lucas Dolega-SAIF de fotografia e o prêmio de Jornalismo investigativo Africano RSF-Mohamed Maïga. Criado em 2024, o Prêmio RSF–Mohamed Maïga é concedido em parceria com a associação homônima, dedicada à promoção dos direitos humanos, da educação, do meio ambiente e do direito à informação.

Segundo a RSF, os premiados foram reconhecidos por trajetórias marcadas pela defesa do jornalismo em contextos adversos.



O fotojornalista Sai Zaw Thaike foi condenado a 20 anos de prisão por documentar violações de direitos humanos em Mianmar; Carlitos Cadangue sobreviveu a uma tentativa de assassinato após investigar a mineração ilegal em Moçambique; Julia Mengolini mantém o trabalho à frente do veículo independente Futurock, apesar de campanhas de assédio e desinformação; Abdul Hakim Abu Riash recebeu o prêmio por sua série fotográfica Gaza’s Agony: War, Hunger, and Loss, que retrata a crise humanitária em Gaza; e Habib Marouane Camara foi homenageado por seu trabalho investigativo, mesmo permanecendo desaparecido desde seu sequestro, em dezembro de 2024.

Única mulher premiada nesta edição, a jornalista argentina Julia Mengolin, em seu discurso, pediu que seu caso não sirva como uma história de superação pessoal. “Mas como um testemunho do que realmente deveria nos preocupar: que a inteligência artificial não pode ser utilizada para causar danos e assediar mulheres, nem que as instituições democráticas sejam usadas para proteger o poder econômico e perseguir jornalistas,” disse. ◼

Veja mais detalhes no site www.rsf.org