Jornalista com suspeita de ebola denuncia descaso do governo americano

O jornalista está sendo monitorado pelos agentes de saúde americanos. A assistência médica, contudo, foi oferecida após conceder entrevista.

Atualizado em 30/10/2014 às 15:10, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornalista freelancer norte-americano Marcus Dipaola, que fazia a cobertura da Libéria para diferentes veículos internacionais, voltou a Chicago há nove dias. Com suspeita de ter sido infectado pelo vírus ebola, preferiu ser tratado em seu país. No entanto, o correspondente afirma que os agentes de saúde da cidade só entraram em contato após ele conceder entrevista a uma rádio na última quarta-feira (28/10).
Crédito:Reprodução Marcus Dipaola alega que governo não verificou se ele tinha vírus do ebola
A "rapidez" da ação dos agentes sanitários foi ironizada pelo profissional de imprensa. Menos de duas horas depois da conversa com uma estação da região, ele recebeu a ligação de representantes do governo local.

"(Cerca de) Duas horas depois, me ligaram do Departamento de Saúde Pública de Chicago dizendo: 'Ei, nós gostaríamos de tirar a sua temperatura'", disse Marcus Dipaola. O repórter afirma que não foi exposto ao vírus na viagem e continua tirando sua temperatura duas vezes ao dia.
Dipaola revela ainda que repetiu o método duas vezes no aeroporto da Libéria e seguiu o procedimento em Marrocos e em Nova York. Como a precaução partiu por sua iniciativa, isso preocupa o jornalista pela inércia das autoridades na chegada de turistas aos EUA.
"(As autoridades de saúde nova-iorquinas) disseram no Departamento de Saúde Pública de Chicago que entrariam em contato nas próximas 24 horas, o que não aconteceu", ele conta. "Se eu fosse um doutor ou uma enfermeira e só fossem me contatar nove dias atrasados, já teria sido completamente inaceitável e poderia criar um perigo para a segurança pública do país”, completa.
O correspondente se refere ao fim do período de incubação (2 a 21 dias). O vírus do ebola só é transmissível a partir do instante que o paciente começa a apresentar sintomas da doença.

Em reportagem sobre o depoimento de Dipaola, a NBC de Chicago relata que a secretaria de saúde da cidade observa os protocolos de monitoramento do vírus foram colocados em prática na situação específica do repórter. Em comunicado, afirmam ainda que "não foram notificados de sua chegada" e que a matéria de rádio transmitida nessa semana "foi a primeira vez que ouviram falar" sobre ele.
"Nós imediatamente entramos em contato com o indivíduo e o visitamos em casa no mesmo dia para realizar uma triagem. Ele permanece assintomático e concordou com o programa de vigilância para o restante do período de 21 dias", afirma em nota. "O vírus não se espalha facilmente de pessoa para pessoa e o infectado não transmite o ebola ao menos que apresente os sintomas", diz.
Assista ao vídeo: