Jornalismo esportivo hiperlocal e o país da bola fora da bolha

Com exceção dos grandes clubes, o futebol ainda carece de uma cobertura jornalística mais ampla, independente e diversa

Atualizado em 18/06/2026 às 14:06, por Colunista.

Logotipo do site Puntero Izquierdo em preto sobre fundo claro, com a silhueta de um jogador de futebol ao lado do nome. Abaixo, a frase: “o continente além do umbigo”.

Logotipo do site Puntero Izquierdo (Reprodução)


Por Juca Guimarães*

O Brasil tem uma grave carência de produção de conteúdo sobre futebol. Essa situação abre um grande espaço para o jornalismo hiperlocal com matérias que explorem pontos de vista interessantes sobre o futebol, além do desdobramento da crítica sobre o esporte mais popular do país, seus impactos sociais nas cidades pequenas, regiões metropolitanas e bairros de periferia.

Uma pesquisa do ano passado, setembro de 2025, feita pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, apontou que 41% dos brasileiros que assistem jogos de futebol se informam sobre o esporte por meio de programas de “mesa redonda”, aquele formato de debate e comentários, sendo que 24% dos torcedores entrevistados afirmaram que veem este tipo de conteúdo uma vez por semana. 

O que também impressiona é que foram ouvidos 2.006 torcedores em todos os estados do país, com mais de 16 anos de idade, e o resultado apontou que 59% do total não assistem programas esportivos ou mesas redondas.

Uma leitura possível de ser feita dessa pesquisa é que os torcedores brasileiros que gostam de futebol, sobretudo em ano de Copa do Mundo, vivem num deserto de notícia, por conta da falta de veículos de imprensa local, além da escassez de produção de programas, sites e podcast que façam reportagens mais amplas e profundas sobre o futebol. 

Essa ausência de cobertura se destaca quando as luzes se direcionam para os times pequenos, as várias divisões dos campeonatos regionais e torneios nacionais e internacionais. A produção de conteúdo que abastece as mesas redondas é elaborada e divulgada pelos próprios clubes ou então pelas assessorias dos jogadores e seus empresários. 

Falta, portanto, mais trabalho de jornalismo independente, isento e plural, para abordar o futebol por diferentes ângulos e levar mais informação para os torcedores.

Juca Guimarães

Um exemplo de trabalho criativo e independente no jornalismo sobre futebol é a revista digital “Puntero Izquierdo - o continente além do umbigo” (2015), editada por Paulo Silva Jr. e Leo Lepri, com foco em crônicas, histórias e reportagens sobre o futebol sul-americano. O projeto tem como seu principal canal de divulgação a newsletter no Substack, além de parcerias com portais agregadores de literatura e história esportiva como Ludopédio e Medium. ◼
 

*Juca Guimarães, paulistano, é jornalista desde 1996, atua como repórter, roteirista e documentarista. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Rede Globo, Alma Preta Jornalismo, Ponte Jornalismo, entre outros.