Jornal Aborda, de Osasco, amplia espaço para vozes historicamente invisibilizadas

Em seu terceiro ano, o jornal digital das periferias de Osasco (SP) é uma iniciativa da ativista social Noellen Assis

Atualizado em 23/05/2026 às 12:05, por Colunista.

Página do “Jornal Aborda”. À esquerda, aparece o logotipo em letras grandes pretas e azuis sobre fundo branco. À direita, a capa de uma edição do jornal traz a manchete sobre o acolhimento de pessoas invisibilizadas e o papel das ONGs no Brasil. A foto principal mostra duas pessoas se abraçando em um ambiente interno, transmitindo acolhimento e solidariedade. O restante da página é composto por colunas de texto jornalístico em preto sobre fundo branco.

Capa da 25ª edição do Jornal Aborda com periodicidade mensal (reprodução)


Por Juca Guimarães*

A cidade de Osasco, na região metropolitana da capital paulista, tem cerca de 766 mil habitantes, sendo o sexto município do Estado em população. Até 1962, era um bairro da região Oeste da metrópole que conquistou a sua emancipação pelo voto popular. Nos últimos três anos, uma das sensações da cidade de Osasco é o Jornal Aborda.

A publicação, que está na sua 25ª edição digital, fala de uma grande variedade de temas e notícias sobre a cidade e seus moradores, por exemplo, a carreira do cantor Jota Pê, que nasceu em Osasco. 

O jornal surgiu da iniciativa da ativista social Noellen Assis, pesquisadora e estudante de psicologia e de mais duas pós-graduações, para dar visibilidade para os projetos da ONG Projeto Base, também criada por ela, e promover ações de cidadania e desenvolvimento social para os bairros periféricos de Osasco. 

Segundo a fundadora, a população periférica de Osasco sofre cotidianamente com a falta de infraestrutura e projetos de desenvolvimento, em contraponto ao fato do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade ser considerado alto (0,818 de uma pontuação máxima de 1) com o 8º maior PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, em 2025, com cerca de R$ 120 bilhões.

Noellen buscou um modelo alternativo de jornalismo independente com foco comunitário para o projeto do jornal. Ela montou um time com cerca de 30 colaboradores das áreas de jornalismo, comunicação e tecnologia para criar um site e redes sociais. 

Osasco tem cerca de 200 favelas com grande potencial de histórias diversas, que conversam com tantas outras realidades em São Paulo e no Brasil.

Noellen Assis

"As pautas, por exemplo, abordam diversos assuntos, como educação, empreendedorismo, cultura, política e saúde, oferecendo desta maneira uma visibilidade a talentos, que por muitas vezes são invisibilizados”, diz Noellen no nosso bate-papo. 

O conteúdo é feito com jornalistas parceiros de diversas regiões da cidade e de fora também, de forma voluntária. As pautas são sugeridas pelos profissionais que podem atuar em duplas. “A cada dois meses, fazemos um rodízio de duplas para que eles possam cobrir temas diferentes em diversas áreas”, revela a ativista.

O jornal fez também parcerias de produção de conteúdo com escolas de jornalismo, como a ESPM. 

“Foi um marco e reconhecimento junto a todas as pessoas que fazem o jornal e também a possibilidade de aprender com estudantes e vivenciar diferentes olhares sobre o jornalismo comunitário e cidadão. Durou seis meses, com alunos produzindo matérias sob supervisão, de ambos os lados. Foi uma experiência importante de reconhecimento”, diz Noellen.

A editora avalia também que o Jornal Aborda conseguiu estabelecer uma sinergia muito forte com os leitores, por conta da identidade editorial. “O jornal promove saúde mental ao dar voz a pessoas invisibilizadas, valorizando suas histórias, talentos e potencial, destacando assim a força da periferia”.

Além do trabalho na redação, a publicação também leva projetos de comunicação e eventos para as escolas públicas da cidade.◼
 

*Juca Guimarães, paulistano, é jornalista desde 1996, atua como repórter, roteirista e documentarista. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Rede Globo, Alma Preta Jornalismo, Ponte Jornalismo, entre outros.