Extremistas.br, da Globoplay, destrincha a gênese do golpismo
Documentário se “infiltrou” nos grupos bolsonaristas movidos pelo fanatismo
Ilustração do audiovisual Extremistas.br (Divulgação/ Globoplay)
Pedro Venceslau*
Enquanto Flávio Bolsonaro tenta convencer a opinião pública e a Faria Lima de que é a versão moderada do pai, o chamado “bolsonarismo raiz” busca manter sua base energizada.
Essa base, que deflagrou o movimento que culminou na tentativa de golpe de 8/1, já teve espaço no centro do ecossistema da direita, mas perdeu força.
Muitos estudos, filmes e teses já se debruçaram sobre esse fenômeno, mas nenhum mergulhou tão a fundo nessa epidemia como o Extremistas.br, da Globoplay, premiado no One World Film Festival, maior festival de direitos humanos da Europa.
A produção começou como uma série, mas depois ganhou uma versão longa-metragem. Um dos méritos da série-filme é o acesso.
Extremistas.br acompanha a rotina de figuras que, em geral, desconfiam da própria sombra.
A equipe entra na sala do fanatismo e segue a rotina dos radicais sem que eles tenham noção do quanto estão se expondo ao mundo.
Na versão em capítulos, um deles se dedica à obsessão da extrema direita com armas, que cumprem um papel ao mesmo tempo estético e de identidade política.
Em outra passagem, a série acompanha um “criador de conteúdo” para internet que atua profissionalmente produzindo fake news em escala industrial para políticos e fanáticos em geral.
A declaração recente de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas deixou no ar a impressão de que existe a intenção de tirar os extremistas de suas tocas e deixá-los preparados para a ação no caso da vitória do Lula.◼

*Pedro Venceslau foi diretor de redação de IMPRENSA e, hoje, é analista da CNN Brasil.





