“Empresas de mídia no Brasil têm razões para estarem otimistas”, diz presidente da ANJ

Empossado no último dia 21 de agosto, no 9º Congresso Brasileiro de Jornais, o presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e diretor de A Gazeta (ES) Carlos Fernando Alberto Lindenberg Neto destacou em seu discurso o desafio de buscar novos modelos de negócios e a importância dos jornais regionais no mercado nacional de periódicos.

Atualizado em 30/08/2012 às 18:08, por Luiz Gustavo Pacete.

de agosto, no 9º Congresso Brasileiro de Jornais, Divulgação Carlos Fernando Lindenberg Neto o presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e diretor de A Gazeta (ES) Carlos Fernando Alberto Lindenberg Neto destacou em seu discurso o desafio de buscar novos modelos de negócios e a importância dos jornais regionais no mercado nacional de periódicos.
Em um contexto em que importantes jornais nacionais já começam a cobrar pelo conteúdo digital, Carlos Fernando, também conhecido como Café, fala à IMPRENSA sobre os atuais desafios da ANJ que se dividem no modelo sustentável de negócios para os jornais, a defesa da liberdade de imprensa e a continuidade do “Programa Permanente de Autorregulamentação”.

Café ficará a frente da entidade até 2014 e é o primeiro diretor regional a presidir a ANJ. Ele substitui Judith Brito, da Folha de S. Paulo, que estava à frente da entidade até então.
IMPRENSA - Qual o maior desafio dos jornais em relação ao modelo de negócios? Carlos Fernando Lindenberg Neto - A construção de novos modelos de negócios é o maior desafio, não apenas dos jornais brasileiros, mas de jornais de todo o mundo. Historicamente, nosso negócio tem se baseado num modelo em que grande parte da receita vem da publicidade e uma parte menor da circulação paga, seja avulsa ou por assinaturas. Com a internet e as mídias digitais, os jornais pretenderam disponibilizar gratuitamente seus conteúdos, supondo que o grande crescimento da audiência pudesse alavancar também um grande crescimento da publicidade. Isso não aconteceu e os jornais, no Brasil e em todo o mundo, tendem agora a construir modelos de negócios que têm como pressuposto algum tipo de cobrança dos conteúdos nas mídias digitais.
Você percebe otimismo por parte de nossas empresas jornalísticas? As empresas de mídia no Brasil têm sólidas razões para serem otimistas. Mesmo diante de uma conjuntura internacional adversa, o país segue crescendo, às vezes em ritmo mais lento, mas com a economia em expansão. Nos últimos anos, ampliamos significativamente nosso mercado consumidor. Os reflexos positivos para as empresas de mídia, em geral, e também para os jornais, são evidentes. Diferente de outros países de economia mais madura, aqui os jornais vêm crescendo em circulação. E temos ainda muito espaço para crescer. O que diferencia a indústria brasileira de jornais dos Estados Unidos, onde a crise se mostrou devastadora? Os Estados Unidos, que têm um mercado leitor maduro, enfrentaram, e ainda enfrentam, uma combinação perversa de queda na circulação dos jornais e queda no faturamento publicitário dos jornais. No Brasil, a circulação de jornais está em crescimento e ainda temos um grande mercado leitor para conquistar. Em relação à publicidade, temos perdido espaço relativo no bolo publicitário, mas o faturamento continua crescendo em termos absolutos. Estamos trabalhando para que essa conjuntura positiva possa ser usada para fazermos uma transição mais tranquila do impresso para o digital do que vem ocorrendo nos Estados Unidos. Qual o papel dos jornais regionais neste contexto? Existem mais de quatro mil títulos de jornais de diferentes periodicidades no Brasil, sendo quase 700 de jornais diários. O Brasil é um dos países com maior número de títulos de jornais no mundo. Somos um meio de comunicação profundamente enraizado em todo o território nacional, que tem grande parte de sua força na identificação de cada um desses títulos construiu ao longo do tempo em suas regiões, com suas cidades. Embora existam alguns jornais no Brasil considerados referências nacionais, não se pode, num país tão imenso, falar em jornais nacionais, como é o caso de países menores da Europa, por exemplo. O poder de comunicação e de formação de opinião dessas publicações é muito grande. Ressalto também que boa parte deles apresenta excelentes níveis de profissionalismo e qualidade. Quais são os planos da ANJ para seu projeto de autorregulamentação? O nosso Programa Permanente de Autorregulamentação visa estimular os jornais associados a adotarem práticas de relacionamento transparente com suas audiências, no sentido de exporem seus princípios editoriais e éticos e poderem ser cobrados por isso. Lançamos o programa há pouco mais de um ano e tivemos a adesão total de nossos associados, alguns com práticas mais profundas, outros se iniciando nesse compromisso. Nosso objetivo é construir uma cultura de autorregulamentação, em que os jornais estejam abertos para ouvir críticas e fazer correções. Como diz o nome, é um processo, uma obra em permanente construção, que poderá ser aprofundada, aperfeiçoada.