Direita desistiu de lutar contra o Brasil no Oscar

Tentativa frustrada de boicote ao filme “Ainda Estou aqui” não se repetiu com “O Agente Secreto”, que chegou a Netflix

Atualizado em 13/03/2026 às 08:03, por Colunista.

Foto em preto e branco de um set de filmagem montado dentro de uma sala que parece um laboratório ou sala de aula. Diversos profissionais da equipe de cinema estão espalhados pelo ambiente, operando câmera, segurando microfones em hastes e ajustando uma grande luz de estúdio no centro da imagem. Sobre duas mesas, há o corpo de um grande tubarão cenográfico. Ao fundo, algumas pessoas observam a cena enquanto outras trabalham na preparação da gravação. O piso é quadriculado e grandes janelas iluminam o espaço.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, Kleber Mendonça Filho grava na universidade cena do tubarão para “O Agente Secreto” (UFPE/ Divulgação)


Por Pedro Venceslau   

A extrema direita brasileira deu um tiro no pé em 2025 quando deflagrou um movimento de boicote ao longa “Ainda Estou Aqui”. 

Além de projetar ainda mais o filme, o movimento passou uma mensagem de sectarismo que ridicularizou o bolsonarismo raiz diante do grande público. 

Ninguém levou a sério as fake news sobre o uso da Lei Rouanet. Afinal, Fernanda Torres e cia eram o Brasil no Oscar.

Os bolsonaristas ficaram especialmente irritados quando a equipe do filme confraternizou com Lula, que foi tratado como o presidente que tirou o audiovisual do pântano.

Em 2026, os bolsonaristas que gritaram no ano passado estão em silêncio. 

Há um cálculo político, já que agora o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, vestiu o figurino moderado para furar a bolha radical. 

Obviamente, ele não vai celebrar um filme sobre a ditadura que seu pai enaltece, mas também não vai às redes reverberar contra o filme. 

O núcleo “ideológico” do bolsonarismo torce em silêncio contra Wagner Moura e cia, mas sabe que a vitória já foi conquistada com as indicações. 

E nem adianta reclamar, porque o time de Kleber Mendonça vai subir a rampa do Palácio do Planalto com ou sem estatueta. ◼
 

*Pedro Venceslau foi diretor de redação de IMPRENSA 
e, hoje, é analista da CNN Brasil.