Como mudou o trabalho dos correspondentes internacionais

Do analógico ao digital, Sonia Blota traz os desafios de apurar a informação num mundo cada vez mais veloz e fragmentado

Atualizado em 27/05/2026 às 11:05, por Colunista.

Imagem dividida em dois cenários que contrastam o trabalho do correspondente internacional no passado e no presente. À esquerda, em tons sépia, um jornalista escreve enquanto fala ao telefone em uma cidade marcada por arquitetura histórica, cercado por máquina de escrever, jornais e câmera fotográfica analógica. À direita, em cores frias e modernas, uma jornalista acompanha uma área urbana com fumaça ao fundo enquanto utiliza celular, laptop e câmera digital; um drone sobrevoa a cena. Ao centro, um mapa-múndi conecta os dois períodos.

Ilustração gerada por Inteligência Artificial


Por Sonia Blota*

Comecei, nos anos 90, aprendendo a pilotar uma redação. Décadas depois, a tecnologia pode ser aliada, mas também inimiga. Não abro mão da boa e velha apuração: ficar no telefone checando se a informação é real ou “fake”. 

Hoje, essa checagem pode acontecer pelos aplicativos da vida. Mas toda essa facilidade não necessariamente nos ajuda a escrever melhor. Algoritmos não têm (ainda) o sentimento de quem vive na pele o que acontece no dia a dia. A reportagem é a mãe do jornalismo.

Hoje, muitas vezes, eu preciso apurar, contextualizar e me posicionar quase em tempo real, acompanhando uma informação que ainda está em movimento. E isso torna meu trabalho “menor”? Não. Temos que insistir na verdade. A geopolítica é o melhor exemplo.

Sonia Blota


Em um cenário global marcado por conflitos, polarização política, excesso de informação e transformação digital, cresce a reflexão sobre o papel da imprensa internacional e os desafios enfrentados pelos jornalistas na cobertura dos acontecimentos mundiais.

A velocidade das redes sociais e a circulação instantânea de conteúdos alteraram profundamente a dinâmica da informação. Ao mesmo tempo em que ampliaram o acesso às notícias, também intensificaram a disputa por narrativas, a pressão por audiência e os riscos da desinformação. Em xeque, o debate sobre credibilidade, apuração rigorosa e responsabilidade editorial.

Contexto

O jornalismo, especialmente no campo internacional, passou a exigir não apenas rapidez, mas também a capacidade de contextualizar acontecimentos complexos em um ambiente cada vez mais fragmentado e polarizado. E nada disso avança sem o olhar humano sobre o tema. 

O trabalho do correspondente e das redações mundo afora também se transformou diante das novas plataformas digitais, das mudanças no consumo de notícias e da necessidade permanente de reafirmar a confiança do público, da audiência.

Mais do que relatar fatos, o jornalismo contemporâneo enfrenta o desafio de oferecer clareza, profundidade e equilíbrio em um mundo que muda a cada minuto. Isso envolve também o papel da imprensa na construção de uma compreensão mais ampla da realidade internacional.

E pra você: o que é ser jornalista hoje, maio de 2026?

Vamos pensar com clareza e carinho. ◼
 

 

*Sonia Blota é repórter, apresentadora e correspondente internacional da Rede Bandeirantes na França. Sonia também é madrinha do Troféu Mulher IMPRENSA.