“A mudança de mãos do Twitter e o desafio de combater o monopólio da informação”, por Wagner de Alcântara Aragão
A compra do Twitter pelo empresário Elon Musk é motivo de muita preocupação. Preocupação para o mercado de mídia, economia, a geopolítica.
Opinião
Ninguém, por mais bilionário que seja, gasta US$ 44 bilhões por brincadeira. Portanto, a compra do Twitter pelo empresário Elon Musk é motivo de muita preocupação. Preocupação para o mercado de mídia. Preocupação para a economia, para a geopolítica. Preocupação para a liberdade de expressão. Preocupação para a democracia.
Não é de hoje que discutimos os efeitos colaterais do oligopólio das big techs no mundo. Aqui mesmo no Portal IMPRENSA há uma série de notícias e análises que evidenciam efeitos nefastos. A mais recente ( ), por exemplo, aponta como as redes sociais digitais têm contribuído para a humanidade estar mal informada sobre as mudanças climáticas.
Os US$ 44 bilhões desembolsados por Musk equivalem a mais ou menos R$ 220 bilhões. Duzentos e vinte bilhões de reais, ou 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de um trimestre! Seguramente, um montante superior ao PIB de uma porção de países.
Em 2020, não teve pudor, também pelo Twitter, em defender o golpe contra o presidente da Bolívia, Evo Morales. Em tempo: a Bolívia possui das maiores reservas de lítio no planeta, mineral necessário para baterias de carros elétricos, como os produzidos pela Tesla de Musk.
Temos, pois, motivos de sobra para agir a fim de evitar que a circulação do que acontece no mundo esteja sob esse monopólio. Porque não é só uma questão de concordar ou discordar com o que se diz ou se disser no Twitter. Não é só uma questão de usar ou não a rede social em questão. É o risco de termos nosso entendimento sobre a vida neste planeta forjada pela visão e interesses particulares duma única pessoa.
Como agir? Regular o mercado, o primeiro passo. O que não é fácil, nesse mercado de big techs. Mas não é impossível. É imprescindível. Dos maiores desafios para a democracia.
A regulação do mercado, contudo, não basta para garantir pluralidade da informação, com qualidade. Políticas de fomento à Comunicação Social, similares às da Cultura, ampliaram o leque de atores produzindo conteúdo.
Outra medida: o país investir em suas próprias tecnologias. Demos, na década passada, um salto no desenvolvimento de tecnologias em software livre que nos deram autonomia em alguns segmentos – o seguro e exemplar programa de declaração do Imposto de Renda é o produto mais evidente. Essa trajetória precisa de ser retomada.
* é doutorando em Comunicação (UFPR), jornalista e professor da rede estadual de educação profissional do Paraná. Mantém um veículo de mídia alternativa (www.redemacuco.com.br), ministra cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e realiza projetos culturais.





