Há cem anos, a maior parte dos países dividiram-se em dois blocos na chamada I Guerra Mundial, desencadeada pelo avanço dos movimentos imperialistas. Sem se comprometer com nenhum lado, o Brasil preferiu se manter neutro, e assim, seguir com seus negócios com os envolvidos no conflito. No entanto, uma série de acontecimentos motivou a entrada dos brasileiros no confronto.
Crédito:Divulgação Marcelo Monteiro conta naufrágio que levou Brasil a entrar na I Primeira Guerra
Segundo o jornalista Marcelo Monteiro, esse papel do Brasil no conflito mundial aconteceu em 1917, quando se aprofundou a crise. Naquele período, houve um estremecimento nas relações com a Alemanha, que fez um bloqueio naval aos seus inimigos, como Inglaterra e França, que eram mercados abastecidos pelo café tupiniquim. Enquanto isso, os Estados Unidos afinavam laços com a América.
Como diversas embarcações foram atacadas, as autoridades ficaram em pé de guerra. Afinal, vinha dos mares o recado de que nem mesmo uma nação indiferente à guerra ficaria imune dos bombardeios. Assim aconteceu com o navio Paraná, que carregava consigo mais de quatro mil toneladas de café e cereais. O Tijuca e o Lapa também foram derrubados pelos chamados U-boots.
Guerra à vista!
Em “ ”, Marcelo Monteiro disserta sobre esse momento de indefinição sobre uma eventual participação do país no conflito. Como resposta ao naufrágio de suas tropas marítimas, o presidente Wenceslau Braz resolveu anunciar o confisco de cerca de 45 navios germânicos que estavam ancoradas nos portos da região.
A gota d’água para os brasileiros ocorreu com o bombardeamento do navio Macau pela embarcação de guerra U-93. O ataque resultou no naufrágio do veículo brasileiro e no posicionamento oficial do governo brasileiro em favor dos aliados.
Na obra, o autor conta como foi o esforço brasileiro para contribuir com os aliados da guerra. O estopim da entrada do Brasil guerra, o U-93, está desaparecido desde a ofensiva ao Macau. Em setembro, mergulhadores destroços do que poderiam ser restos da embarcação.
Bastidores e comportamento da imprensa
Os confrontos marítimos chamam a atenção de Monteiro. Em 2011, por exemplo, ele estava no final do seu primeiro livro, que falava sobre o assunto. Em “ ”, levantou os ataques alemães contra cinco navios brasileiros na costa nordestina, entre Sergipe e Bahia em 1942 e como este fato foi determinante para a entrada do país no conflito.
Durante a apuração da primeira obra, que conta com entrevistas com sobreviventes e uma extensa pesquisa bibliográfica, teve acesso a alguns documentos sobre a participação do país na I Guerra. “Fiquei surpreso ao perceber a semelhança das circunstâncias que jogaram o Brasil nos dois maiores conflitos armados da história”, diz ele, que desde 2012 se dedica à produção do novo livro.
A cobertura de mídia, realizada durante os dois conflitos, também ajudou o jornalista a produzir a publicação. No caso de “U-93”, revelam a reação do povo ao confronto. “O fato de embarcações brasileiras terem sido atacadas, causando a morte de marinheiros inocentes, que nada tinham a ver com a guerra dos países europeus, causou uma grande comoção entre a população nacional”, diz.
Crédito:Divulgação Segunda obra do jornalista fala da I Guerra
A imprensa nacional, de forma geral, abraçou a causa do governo. Segundo o jornalista, em vários momentos a comoção virou revolta, já que os naufrágios foram repercutidos com destaque nos veículos, que teriam adotado uma postura ufanista “exigindo a vingança pelas afrontas ‘boches’ (como os alemães eram chamados, jocosamente, pelos franceses e, mais tarde, pelos brasileiros)”.
“Nos títulos e manchetes, os jornais não se cansavam de classificar os alemães como bárbaros, colocando o Brasil como vítima da barbárie germânica. Nos espaços de opinião, articulistas pediam vingança”, conta. A atitude ‘revanchista’ retroalimentou a revolta popular contra os ataques, que descontaram sua raiva em alemães, imigrantes e descendentes que moravam no país.
A riqueza nos detalhes de cada episódio foi possível graças a um longo trabalho de apuração. Uma das peças mais importantes, de acordo com o jornalista, foi uma carta deixada por um náufrago do Macau, em que conta tudo o que havia ocorrido no afundamento do navio, em outubro de 1917.
“Esta carta foi herdada por um neto, que manteve contato comigo na redação de Zero Hora , onde trabalho, e acabou me repassando este documento, de extrema valia para a narrativa do livro”, disse ele. “De toda forma, a grande massa de informações apuradas veio mesmo na forma de pesquisa em acervos de jornais, além de livros, vídeos, filmes e documentários”, acrescenta.
Os próximos projetos do jornalista não podiam fugir deste cenário. Monteiro tem a expectativa de voltar a escrever sobre a II Guerra. Embora não seja uma ideia consolidada, gostaria de abordar os mais de 30 navios brasileiros afundados entre 1942 e 1945 por submarinos alemães.
“No livro “U-507”, me detive na história de seis embarcações afundadas entre os dias 15 e 17 de agosto de 1942, no episódio que culminou na entrada do país na guerra, sem me aprofundar na história dos demais naufrágios. No próximo projeto, devo explorar algum outro recorte envolvendo os outros 30 navios afundados por U-boots nazistas”, relatou o jornalista.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Marcelo Monteiro conta naufrágio que levou Brasil a entrar na I Primeira Guerra
Segundo o jornalista Marcelo Monteiro, esse papel do Brasil no conflito mundial aconteceu em 1917, quando se aprofundou a crise. Naquele período, houve um estremecimento nas relações com a Alemanha, que fez um bloqueio naval aos seus inimigos, como Inglaterra e França, que eram mercados abastecidos pelo café tupiniquim. Enquanto isso, os Estados Unidos afinavam laços com a América.
Como diversas embarcações foram atacadas, as autoridades ficaram em pé de guerra. Afinal, vinha dos mares o recado de que nem mesmo uma nação indiferente à guerra ficaria imune dos bombardeios. Assim aconteceu com o navio Paraná, que carregava consigo mais de quatro mil toneladas de café e cereais. O Tijuca e o Lapa também foram derrubados pelos chamados U-boots.
Guerra à vista!
Em “ ”, Marcelo Monteiro disserta sobre esse momento de indefinição sobre uma eventual participação do país no conflito. Como resposta ao naufrágio de suas tropas marítimas, o presidente Wenceslau Braz resolveu anunciar o confisco de cerca de 45 navios germânicos que estavam ancoradas nos portos da região.
A gota d’água para os brasileiros ocorreu com o bombardeamento do navio Macau pela embarcação de guerra U-93. O ataque resultou no naufrágio do veículo brasileiro e no posicionamento oficial do governo brasileiro em favor dos aliados.
Na obra, o autor conta como foi o esforço brasileiro para contribuir com os aliados da guerra. O estopim da entrada do Brasil guerra, o U-93, está desaparecido desde a ofensiva ao Macau. Em setembro, mergulhadores destroços do que poderiam ser restos da embarcação.
Bastidores e comportamento da imprensa
Os confrontos marítimos chamam a atenção de Monteiro. Em 2011, por exemplo, ele estava no final do seu primeiro livro, que falava sobre o assunto. Em “ ”, levantou os ataques alemães contra cinco navios brasileiros na costa nordestina, entre Sergipe e Bahia em 1942 e como este fato foi determinante para a entrada do país no conflito.
Durante a apuração da primeira obra, que conta com entrevistas com sobreviventes e uma extensa pesquisa bibliográfica, teve acesso a alguns documentos sobre a participação do país na I Guerra. “Fiquei surpreso ao perceber a semelhança das circunstâncias que jogaram o Brasil nos dois maiores conflitos armados da história”, diz ele, que desde 2012 se dedica à produção do novo livro.
A cobertura de mídia, realizada durante os dois conflitos, também ajudou o jornalista a produzir a publicação. No caso de “U-93”, revelam a reação do povo ao confronto. “O fato de embarcações brasileiras terem sido atacadas, causando a morte de marinheiros inocentes, que nada tinham a ver com a guerra dos países europeus, causou uma grande comoção entre a população nacional”, diz.
Crédito:Divulgação Segunda obra do jornalista fala da I Guerra
A imprensa nacional, de forma geral, abraçou a causa do governo. Segundo o jornalista, em vários momentos a comoção virou revolta, já que os naufrágios foram repercutidos com destaque nos veículos, que teriam adotado uma postura ufanista “exigindo a vingança pelas afrontas ‘boches’ (como os alemães eram chamados, jocosamente, pelos franceses e, mais tarde, pelos brasileiros)”.
“Nos títulos e manchetes, os jornais não se cansavam de classificar os alemães como bárbaros, colocando o Brasil como vítima da barbárie germânica. Nos espaços de opinião, articulistas pediam vingança”, conta. A atitude ‘revanchista’ retroalimentou a revolta popular contra os ataques, que descontaram sua raiva em alemães, imigrantes e descendentes que moravam no país.
A riqueza nos detalhes de cada episódio foi possível graças a um longo trabalho de apuração. Uma das peças mais importantes, de acordo com o jornalista, foi uma carta deixada por um náufrago do Macau, em que conta tudo o que havia ocorrido no afundamento do navio, em outubro de 1917.
“Esta carta foi herdada por um neto, que manteve contato comigo na redação de Zero Hora , onde trabalho, e acabou me repassando este documento, de extrema valia para a narrativa do livro”, disse ele. “De toda forma, a grande massa de informações apuradas veio mesmo na forma de pesquisa em acervos de jornais, além de livros, vídeos, filmes e documentários”, acrescenta.
Os próximos projetos do jornalista não podiam fugir deste cenário. Monteiro tem a expectativa de voltar a escrever sobre a II Guerra. Embora não seja uma ideia consolidada, gostaria de abordar os mais de 30 navios brasileiros afundados entre 1942 e 1945 por submarinos alemães.
“No livro “U-507”, me detive na história de seis embarcações afundadas entre os dias 15 e 17 de agosto de 1942, no episódio que culminou na entrada do país na guerra, sem me aprofundar na história dos demais naufrágios. No próximo projeto, devo explorar algum outro recorte envolvendo os outros 30 navios afundados por U-boots nazistas”, relatou o jornalista.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

