Pedro Venceslau*
Um dos maiores investimentos da Prime, a série “Lioness” (2023) é daquelas que chama atenção pelo elenco estrelado e pela sofisticação das cenas de ação e espionagem.
Em sua terceira temporada, a produção é viciante para quem gosta de ver agentes infiltrados, conspirações internacionais e crises governamentais.
Com o tempo, porém, começam a surgir os sinais de que há algo muito estranho no roteiro, que conta com nomes do quilate de Nicole Kidman, Morgan Freeman, Zoe Saldaña e Michael Kelly.
O primeiro desconforto surge com os clichês patrióticos na linha do “você ama o seu país?”
A patriotada, com o passar dos episódios, vai escalando para algo mais constrangedor: a defesa intransigente da ideia de que os fins justificam os meios na guerra contra os inimigos externos.
Mas quais são estes inimigos?
A China, claro, surge como carro-chefe de ações terríveis contra os EUA em conluio com radicais do Irã.
Mas é a terceira temporada, lançada em 02 de agosto, que escancara de vez o verdadeiro espírito “trumpista” da série.
É muito desconfortável ver Nicole Kidman fazendo um discurso contra a presença de chineses ou de origem árabe nas universidades norte-americanas.
Ou Morgan Freeman exaltando a liderança de George Bush após o 11 de setembro em contraste com a fraqueza dos presidentes democratas que caíram nessa história esfarrapada da Covid-19, na pandemia.
No final das contas, “Lioness” é um panfleto do Maga (“Make America Great Again”) que dialoga com o que a extrema direita mais gosta: armas, tiros e a superioridade moral dos EUA sobre o resto do planeta.
O diretor Taylor Sheridan é também criador de “Yellowstone” (2018), outra série feita sob medida para o eleitor republicano. ◼



