Segunda-feira, 5 de outubro de 2026 ■ MPJ · Mais Pelo Jornalismo

“Lioness”, da Prime, reúne elenco estrelado para defender agenda de Trump

Superprodução de espionagem conta com Nicole Kidman e Morgan Freeman

Montagem com seis cenas da série Lioness: mulheres em situações de trabalho e operação militar, incluindo uma agente diante de telas, soldados em uma área rural, duas mulheres conversando em uma pista, uma mulher em ambiente externo, um homem de terno diante da bandeira dos EUA e uma militar em uma instalação.
Montagem de cenas da série Lioness (Divulgação)

Pedro Venceslau* 

Um dos maiores investimentos da Prime, a série “Lioness” (2023) é daquelas que chama atenção pelo elenco estrelado e pela sofisticação das cenas de ação e espionagem. 

Em sua terceira temporada, a produção é viciante para quem gosta de ver agentes infiltrados, conspirações internacionais e crises governamentais.

Com o tempo, porém, começam a surgir os sinais de que há algo muito estranho no roteiro, que conta com nomes do quilate de Nicole Kidman, Morgan Freeman, Zoe Saldaña e Michael Kelly. 

O primeiro desconforto surge com os clichês patrióticos na linha do “você ama o seu país?” 

A patriotada, com o passar dos episódios, vai escalando para algo mais constrangedor: a defesa intransigente da ideia de que os fins justificam os meios na guerra contra os inimigos externos. 

Mas quais são estes inimigos?

A China, claro, surge como carro-chefe de ações terríveis contra os EUA em conluio com radicais do Irã.

Mas é a terceira temporada, lançada em 02 de agosto, que escancara de vez o verdadeiro espírito “trumpista” da série.

É muito desconfortável ver Nicole Kidman fazendo um discurso contra a presença de chineses ou de origem árabe nas universidades norte-americanas.

Pedro Venceslau

 

Ou Morgan Freeman exaltando a liderança de George Bush após o 11 de setembro em contraste com a fraqueza dos presidentes democratas que caíram nessa história esfarrapada da Covid-19, na pandemia.

No final das contas, “Lioness” é um panfleto do Maga (“Make America Great Again”) que dialoga com o que a extrema direita mais gosta: armas, tiros e a superioridade moral dos EUA sobre o resto do planeta. 

O diretor Taylor Sheridan é também criador de “Yellowstone” (2018), outra série feita sob medida para o eleitor republicano. ◼

*Pedro Venceslau foi diretor de redação de IMPRENSA e, hoje, é analista da CNN Brasil
*Pedro Venceslau foi diretor de redação de IMPRENSA e, hoje, é analista da CNN Brasil.

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