"Jornalista é humano, não máquina. Tem que se pôr no lugar do outro", diz André Caramante

Repórter especializado na cobertura de segurança pública há mais de 13 anos, André Caramante já acompanhou centenas de casos de violência. Com passagens por Folha de S.

Atualizado em 03/07/2015 às 16:07, por Jéssica Oliveira.

Crédito:Reprodução Caramante fundou com outros jornalistas o site dedicado a cobertura de segurança pública, justiça e direitos humanos

No portal, criado em 2014 por ele e colegas como Laura Capriglione e Bruno Paes Manso, basta uma rápida busca em suas matérias para ter uma ideia das situações que vivencia nas apurações. Violência, humilhação, injustiça e dor são elementos comuns a quase todas elas.


Em reportagem desde ano, o jornalista contou as histórias do pedreiro Vagner de Sousa Ribeiro, de 32 anos, e a de Vitor Lofte Barbosa, de 22, ambos mortos por policiais no Réveillon, quando estavam rendidos. A versão oficial afirmava que os rapazes integravam uma quadrilha que atacou caixas eletrônicos de um banco perto de onde moravam e que atiraram primeiro. O relato foi desmentido dias depois quando um dos PMs envolvidos se arrependeu e contou a verdade à Corregedoria.

Experiência em cobrir esse tipo de pauta, Caramante afirma que se envolve e se emociona com as histórias que ouve e relata. Para ele, essa aproximação é normal e importante para a profissão. "Essa 'pseudoisenção' que alguns dizem fundamental para fazer jornalismo, na minha maneira de ver não é. Fundamental é prestar atenção no outro", disse à IMPRENSA durante o 10º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.


Segundo Caramante, o repórter precisa prestar atenção nas pessoas e se colocar no lugar delas. "O jornalista é humano, não é uma máquina. Tem que se colocar no lugar do outro", acrescentou antes de iniciar sua palestra na mesa "Cobertura de segurança pública em profundidade".