Iniciativas jornalísticas se unem em coalizões colaborativas e pool de veículos para as eleições
Menor compromisso das plataformas e avanço da IA ampliam o risco de desinformação, conteúdos inautênticos e ataques a jornalistas nas eleições
Montagem com logos de iniciativas jornalísticas (Reprodução)
Com o objetivo de fazer frente à desinformação e exercer o papel de defensor do interesse público e da democracia, veículos jornalísticos de diferentes portes e regiões têm formado redes de trabalho para a cobertura ampla, compartilhamento de tecnologia e equipes, e checagem de informação em tempo real das eleições desse ano.
O consórcio nacional "A Hora da Decisão" formado por CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV, pretende somar credibilidade, força e alcance multiplataforma, com forte presença em diferentes segmentos e a capacidade de alcançar milhões de brasileiros diariamente.
A série, coordenada pela CNN Brasil, começou nesta segunda-feira (10) e prevê entrevistas em nove estados: São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Ceará. Com isso, Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-Oeste terão representantes, enquanto nenhum estado do Norte está incluso na programação.
Já a coalizão colaborativa formada pela Agência Pública, Aos Fatos, Núcleo Jornalismo e Amado Mundo lançou o projeto Laboratório de Investigação Eleitoral (LIE). O foco é monitorar e investigar campanhas coordenadas de mentiras no ecossistema digital, abrindo reportagens para republicação gratuita. O projeto atua em sinergia com laboratórios acadêmicos, como o NetLab da UFRJ.
“Durante as eleições de 2022, desenvolvemos a primeira versão deste laboratório investigativo, produzindo reportagens que tiveram impacto não só durante a campanha, mas também nos desafiadores meses seguintes. Estamos juntos novamente porque acreditamos no valor da cooperação para contar histórias relevantes e fazer a diferença em momentos decisivos”, afirma Tai Nalon, diretora executiva do Aos Fatos.
As pautas serão realizadas de maneira colaborativa. Com o Radar, ferramenta e núcleo de inteligência do Aos Fatos, a iniciativa vai monitorar o fluxo de informações e dados nas plataformas digitais, de modo a identificar o impacto e a abrangência de campanhas de desinformação e influência que desafiem o sistema eleitoral — e se antecipar a elas. Também durante o período, o Núcleo vai disponibilizar para as organizações parceiras acesso às ferramentas próprias Botponto, que monitora vídeos no YouTube e encontra o minuto exato em que palavras-chave são ditas, e Legislatech, que monitora documentos públicos diariamente. A Agência Pública disponibilizará um dashboard de dados de desinformação sobre soberania nas redes sociais.
Pool regional
O pool de veículos jornalísticos já é um formato consolidado em outras eleições nacionais. O Grupo Norte de Comunicação montou uma estrutura de veículos regionais integrados, o projeto NC Eleições 2026, mobilizando equipes multimídia em estados do Norte e do Nordeste. Os veículos envolvidos para sabatinas e debates na ação conjunta são: TV Norte Paraíba (afiliada SBT), TV Borborema (Campina Grande - PB), Liga FM João Pessoa e Liga FM Borborema (Paraíba), TV Norte Amazonas (Manaus - AM), TV Norte SBT Pará, NC TV Amapá (afiliada Band), NC TV Roraima (afiliada Band) e NC News (Portal de notícias digital do grupo).
Em Santa Catarina, sob coordenação do VOXX Estúdio, o projeto de uma coalizão regional multiplataforma reúne Sul Agora, Diário do Sul, extra.sc, HC Notícias, Hora Hiper, Hiper FM, Hiperativa FM, Tuba News e Verde Vale FM, representando 12 veículos de comunicação da região.
Monitoramento
Entre as iniciativas “solo” lançadas para monitoramento das eleições de 2026 está a ferramenta do Mamute Político, plataforma do Correio Sabiá que dá "memória de elefante contra a amnésia eleitoral". Com a atualização, para jornalistas que cobrem política, é possível monitorar as emendas parlamentares, projetos e votações de qualquer político do Congresso Nacional.
O projeto MonitorA iniciado em 2020, nas eleições municipais, é um observatório de violência política de gênero nas redes sociais. O projeto monitora e analisa os ataques direcionados a candidatas e mulheres em atuação política durante os períodos eleitorais no Brasil. Em 2026, a quarta edição do MonitorA apresenta uma nova composição, reunindo o InternetLab, Núcleo Jornalismo, Democracia em Xeque e PUC-Rio.
Proteção do jornalista nas eleições
O Grupo de Trabalho (GT) Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, formado por entidades como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério Público Federal (MPF), já está recebendo denúncias por meio da plataforma Fala.Br, canal oficial do governo federal para recebimento de manifestações da sociedade.
Pela composição anunciada, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) será a entidade titular, tendo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) como suplente. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) participará como titular, com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) na suplência.
A missão do GT será produzir diagnósticos, sistematizar informações sobre ocorrências e elaborar recomendações institucionais para prevenir, mitigar e encaminhar casos de violência física, digital, judicial e simbólica relacionados à cobertura eleitoral. O trabalho conjunto dos órgãos é uma forma de preservar a liberdade de expressão da imprensa.
Criado em 2023, o Observatório tem atuado com o monitoramento de casos de violência contra jornalistas e comunicadores sociais, produzindo dados e auxiliando em investigações. No período eleitoral, o foco ficará voltado para a análise de casos e padrões de violência contra os profissionais da imprensa. ◼





