"Em vista da violência brasileira, meu caso é pequeno", diz jornalista Ribeiro Junior
"Em vista da violência brasileira, meu caso é pequeno", diz jornalista Ribeiro Junior
Momentos antes de receber alta do Hospital Santa Luzia, em Brasília, ainda no quarto 242, onde esteve em recuperação nos últimos dias, o jornalista Amaury Ribeiro Junior, baleado durante a apuração de uma reportagem especial sobre o tráfico de drogas para o jornal Correio Braziliense , concedeu entrevista exclusiva ao Portal IMPRENSA e falou dos novos rumos de sua carreira.
Há 20 anos atuando como jornalista investigativo, principalmente em matérias que tratam de lavagem de dinheiro e corrupção, Ribeiro Júnior foi vítima de ameaças diversas, mas garante que entre os telefonemas anônimos que já recebeu, o episódio da última semana foi o mais assustador. "Um dos maiores problemas que já enfrentei foi com o tráfico de drogas, porque é uma situação da qual não se tem controle. É uma questão bastante complexa e envolve um grande problema social", conta Ribeiro.
Questionado sobre a grande repercussão de seu caso na mídia e nas entidades de defesa à segurança do jornalista, Ribeiro afirma que dos vários casos que acontecem diariamente, o dele foi dos mais simples. "Quando acontece alguma coisa com jornalistas, há visibilidade, há críticas... Mas eu escapei! Estou vivo! E quanto às várias garotas que já foram estupradas e morreram vítimas da violência? E os tantos adolescentes que morrem todos os dias? Sem falsa modéstia, acho que diante do caos civil que vivemos, o meu caso é muito pequeno".
Acompanhado por cuidados policiais 24 horas, Ribeiro conta não estar com medo de novas ameaças e afirma que a segurança no local do atentado foi reforçada desde o ocorrido. O jornalista garante ainda que não vai abandonar o jornalismo investigativo e que, depois que tiver alta médica, daqui a cerca de vinte de dias, deve retornar à correria da redação e retomar pendências e matérias que já estavam "engatilhadas", deixando este caso para outro jornalista. "Esse tipo de acontecimento, infelizmente, faz parte da nossa profissão, fico realmente preocupado é com pessoas como os personagens da matéria que iria entregar, jovens que passam por isso diariamente e não são notados", enfatiza.
Foto: ABI






