Em livro, jornalista revela lado íntimo do escritor Jorge Amado
Roberto Amado é sobrinho do autor baiano natural de Itabuna
Atualizado em 23/12/2021 às 11:12, por
Redação Portal IMPRENSA.
A vida agitada e repleta de emoções - e sucessos - de Jorge Amado foi contada em uma biografia que se distancia do tradicional. Em 'Jorge Amado - Meu Tio' (Editora Ibrasa), o jornalista Roberto Amado, sobrinho do escritor, percorre a história do baiano em um tom íntimo e afetuoso.
Foram mais de quatro décadas de convivência, entre as idas e vindas de Salvador para São Paulo, onde parte da família residia. O livro traz um perfil sincero sobre o homem por trás da lenda literária que vendeu milhares de obras em todo o mundo. Crédito:Reprodução
Livro de Roberto Amado já está à venda O primeiro livro de Jorge Amado, 'País do Carnaval', foi lançado em 1931. À época, ele já era um militante do Partido Comunista Brasileiro e estudava Direito no Rio de Janeiro. Em 1936, foi preso pela atuação política. De 1933 a 1937 publicou 'Cacau', 'Suor', 'Jubiabá', 'Mar Morto' e o clássico 'Capitães de Areia'.
Sua literatura e seus ideais políticos deram frutos em 1942, quando lançou 'Cavaleiro da Esperança', a biografia de Luis Carlos Prestes. O preconceito em relação à ideologia política do escritor recaiu até mesmo sobre o autor, tempo depois.
"'Roberto é sobrinho do Jorge Amado, então é comunista', anunciou o colega de classe, apontando o dedo para mim como se eu tivesse cometido um crime", escreve. "Meu tio Jorge elegeu-se deputado federal constituinte em 1946. Sua maior contribuição foi o projeto de lei que garante a liberdade religiosa, texto cuja essência segue em vigor até hoje", conta.
Jorge Amado esteve no exílio em Paris após o fim do mandato. Mudou-se para Praga, e após um ano sem lançar nenhum trabalho, escreveu 'Gabriela, Cravo e Canela'.
Segundo Roberto, revelações do líder soviético Nikita Kruchev sobre Joseph Stálin fizeram com que o escritor se desligasse do partido. 'Gabriela' marcou o fim do seu ativismo político.
Em 1966, Jorge Amado lançou 'Dona Flor e Seus Dois Maridos'. Na obra, Roberto faz menção às memórias afetuosas, como uma viagem feita no mesmo ano por Jorge e a esposa Zélia Gattai, de Salvador a São Paulo, de carro.
"No bagageiro da Veraneio, lembranças para a família, além de dez quilos de farinha, garrafas de pimenta-malagueta, frutas como sapoti, mangaba, umbu, pitomba…", escreve.
A obra se torna um prato cheio para quem quer, mais do que conhecer a história de um ícone da literatura brasileira, busca entender como é a convivência com um gênio.
Roberto Amado é escritor, jornalista e doutor pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP com uma tese sobre o romance da década de 1930 centrada em Jorge Amado.
Foram mais de quatro décadas de convivência, entre as idas e vindas de Salvador para São Paulo, onde parte da família residia. O livro traz um perfil sincero sobre o homem por trás da lenda literária que vendeu milhares de obras em todo o mundo. Crédito:Reprodução
Livro de Roberto Amado já está à venda O primeiro livro de Jorge Amado, 'País do Carnaval', foi lançado em 1931. À época, ele já era um militante do Partido Comunista Brasileiro e estudava Direito no Rio de Janeiro. Em 1936, foi preso pela atuação política. De 1933 a 1937 publicou 'Cacau', 'Suor', 'Jubiabá', 'Mar Morto' e o clássico 'Capitães de Areia'. Sua literatura e seus ideais políticos deram frutos em 1942, quando lançou 'Cavaleiro da Esperança', a biografia de Luis Carlos Prestes. O preconceito em relação à ideologia política do escritor recaiu até mesmo sobre o autor, tempo depois.
"'Roberto é sobrinho do Jorge Amado, então é comunista', anunciou o colega de classe, apontando o dedo para mim como se eu tivesse cometido um crime", escreve. "Meu tio Jorge elegeu-se deputado federal constituinte em 1946. Sua maior contribuição foi o projeto de lei que garante a liberdade religiosa, texto cuja essência segue em vigor até hoje", conta.
Jorge Amado esteve no exílio em Paris após o fim do mandato. Mudou-se para Praga, e após um ano sem lançar nenhum trabalho, escreveu 'Gabriela, Cravo e Canela'.
Segundo Roberto, revelações do líder soviético Nikita Kruchev sobre Joseph Stálin fizeram com que o escritor se desligasse do partido. 'Gabriela' marcou o fim do seu ativismo político.
Em 1966, Jorge Amado lançou 'Dona Flor e Seus Dois Maridos'. Na obra, Roberto faz menção às memórias afetuosas, como uma viagem feita no mesmo ano por Jorge e a esposa Zélia Gattai, de Salvador a São Paulo, de carro.
"No bagageiro da Veraneio, lembranças para a família, além de dez quilos de farinha, garrafas de pimenta-malagueta, frutas como sapoti, mangaba, umbu, pitomba…", escreve.
A obra se torna um prato cheio para quem quer, mais do que conhecer a história de um ícone da literatura brasileira, busca entender como é a convivência com um gênio.
Roberto Amado é escritor, jornalista e doutor pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP com uma tese sobre o romance da década de 1930 centrada em Jorge Amado.





