ELEIÇÕES 2026 | Como a imprensa influência o resultado?

SocialData mapeia as dimensões reputacionais que mais influenciam a disputa pela Presidência da República

Atualizado em 25/05/2026 às 16:05, por Colunista.

Ilustração de um ambiente futurista de análise política e dados digitais. No centro, um homem aparece em destaque diante de painéis luminosos com indicadores de “viabilidade”, “popularidade” e “reputação digital” ligados às eleições de 2026. Ao fundo, pessoas trabalham em computadores em um escritório tecnológico com referências a São Paulo e monitoramento eleitoral.

Ilustração gerada por inteligência artificial


Por Flavio Ferrari*

Há quem diga que a eventual militância da imprensa pode influenciar as eleições, e há quem acredite que as eleições são decididas nas redes sociais.

Mas parece haver um consenso de que, em ambos os casos, trata-se do impacto que as plataformas de mídia causam na reputação dos candidatos.

E faz sentido acreditar que a reputação de um político seja um fator decisivo para sua eleição.

A reputação é uma entidade multidimensional mensurável, embora intangível.

Flavio Ferrari

Partindo dessa premissa, a SocialData decidiu aplicar sua metodologia de avaliação da reputação digital antecipativa para identificar quais seriam as dimensões reputacionais mais relevantes para a escolha dos candidatos que pleiteiam o cargo executivo mais alto do Brasil: a Presidência da República.


A integridade de cinco centavos

O estudo foi elaborado tendo como foco as eleições de 2026, coletando dados de janeiro de 2025 a maio de 2026, e validado retroativamente pela análise dos resultados do primeiro turno das eleições anteriores, de 2018 e 2022.

Foram avaliadas doze dimensões, contemplando as “clássicas” (acadêmicas) e as contemporâneas (dos tempos modernos). 

Técnicas de análise multivariada reduziram esse conjunto a sete dimensões relevantes: viabilidade, popularidade, aceitação, competência, ideologia, confiança e integridade.

A presença da dimensão Viabilidade nesta lista, a percepção que o eleitor tem de que o candidato tem chance de ganhar, não deve nos espantar. Como bem diz a sabedoria popular, brasileiro gosta de votar em quem vai ganhar para não “desperdiçar” o voto.

A novidade está na importância relativa de cada dimensão reputacional.

As análises de correlação definiram pesos para essas dimensões, como “explicadoras” da intenção de voto, e estabeleceram um bônus para a condição política do candidato (ser ocupante do cargo, receber endosso político).

Uma possível surpresa: a percepção de Integridade do candidato (não rouba, não permite que roubem) explica apenas 5% da intenção de voto.

E antes de questionarmos veementemente esse resultado, eu sugiro que nos perguntemos: os candidatos que percebíamos como mais íntegros (honestos) foram os mais votados nas eleições presidenciais passadas?

Confiança (cumpre o que promete, é consistente) recebeu os mesmos 5%, Ideologia e Competência receberam 10% cada, Aceitação (a não rejeição) respondeu por 15%, Popularidade 25% e Viabilidade 30%.

Ou seja, um candidato percebido como muito conhecido e com chances de ganhar a eleição já tem, literalmente, meio caminho andado.

Flavio Ferrari

Quanto mais a imprensa fala sobre um candidato, maior a percepção de que é conhecido. Quando um analista da imprensa avalia as possibilidades de vitória do candidato, ele está impactando diretamente a percepção de viabilidade. Em ambos os casos, isso independe de opiniões, críticas ou elogios ao candidato, que afetam outras dimensões de menor peso.

Desta forma, quando a imprensa passa meses divulgando provas da desonestidade de um candidato, está alavancando uma dimensão que tem um peso de 25% na escolha (Popularidade) e impactando negativamente uma dimensão que vale apenas 5% (Integridade). Quando afirma que sua possível vitória será um desastre para a economia, valida sua Viabilidade (30%) e compromete sua Competência (10%).

Avalie desapaixonadamente as eleições passadas e se pergunte: já assistimos a esse filme?

O modelo de avaliação da reputação digital eleitoral da SocialData é experimental (ainda em desenvolvimento), mas apresentou índices de correlação maiores do que 0,99 quando aplicado retroativamente para indicação do ranking dos candidatos nas eleições de 2018 e 2022 (o valor máximo desse índice é 1,0). 

O que se pode dizer até o momento é que a avaliação da reputação digital pode ser preditiva do resultado do primeiro turno das eleições, mas que as dimensões mais relevantes dessa reputação talvez não sejam as que esperaríamos. ◼
 

*Flavio Ferrari é fundador do hub SocialData, professor de análise estratégica de cenários futuros na ESPM e autor do livro “O Sexto Poder – algoritmos, inteligências artificiais e reputação digital” (2025).