Capa de revista nem sempre faz assessoria feliz

Capa de revista nem sempre faz assessoria feliz

Atualizado em 15/10/2009 às 16:10, por Lucia Faria.

Na maior parte do tempo o cliente de uma assessoria de comunicação fica apreensivo para sair na mídia. No fundo, no fundo, esse é seu maior objetivo. Recentemente fui em um prospect que, de cara, relacionou veículos onde quer sair: Exame e Valor Econômico . Mas com o discurso e os cases da agência ele não chegará lá tão cedo e tive de explicar isso. Acho que perdi a possibilidade de atender a conta exatamente naquele momento. Só que se eu não falasse ali a bomba iria estourar em minhas mãos depois de dois ou três meses.

O Jô Soares já foi o sonho de muitos, hoje não tanto. Agora, Páginas Amarelas da Veja é imbatível. Nesses sete anos já tentei algumas vezes esse espaço, sem sucesso. Cheguei perto quando atendia um personagem famoso, cujo livro tinha virado best-seller. Ao invés de Amarelas, a revista optou por fazer uma matéria mais ampla sobre o tema e ouvir outros personagens. Foi incrível o resultado final, bastante favorável, com nome do cliente na capa. Naquela época, antes da Lei Cidade Limpa em São Paulo, a agência de propaganda da revista espalhava outdoors com a capa da semana e uma frase criativa por todo o Brasil. Cliente, emocionado, ligou:

- Você reparou que meu nome está espalhado nas ruas de todo o País?
Vibrei muito. Golaço. Quinze dias depois, perdi a conta. Sim, perdi, isso mesmo que você acabou de ler. Justificativa: cliente achou que tinha atingido o máximo de exposição e dali em diante não haveria mais nada a fazer. Nem tentei explicar nada, tão decepcionada que fiquei.

Contando esse caso a uma amiga, ela lembrou da vez que uma revista publicou dados de pesquisa do instituto onde trabalhava. Todos estavam ansiosos para ver resultado final, pois sabiam que seria matéria de capa. Surpresa mesmo foi constatar a interpretação errônea dos dados e o comprometimento total do resultado. Ao invés de comemorar, quase chorou. Mandou carta, reclamou, ligou para diretor de redação. Nada.

São duas histórias aparentemente sem relação, mas que convergem num ponto: cliente em capa de revista nem sempre faz assessoria feliz.