Folha de S.Paulo entra na Justiça e site "Falha de S.Paulo" é tirado do ar

Por Paula Franco/Redação Portal IMPRENSA | 04/10/2010 13:13

Atualizada às 16h21

O juiz Núncio Teophilo Neto, da 29ª Vara Cível de São Paulo, concedeu ao grupo Folha da Manhã S/A, proprietária do jornal Folha de S.Paulo, uma liminar que determina a retirada do site Falha de S.Paulo da web. A decisão ordena a suspensão do registro do domínio do portal, sob pena de pagamento de multa no valor de R$ 1 mil por dia. A ordem do juiz foi dada na última quinta (30) e acatada na sexta (01/10).

O site foi criado pelos irmãos Lino e Mário Ito Bocchini - jornalista e designer, respectivamente. Ao Portal IMPRENSA, Lino Bocchini informou que a liminar foi o primeiro contato da Folha ou de qualquer representante do jornal com eles, e que assim que recebeu a ordem tirou todo o conteúdo do do ar. Porém, a liminar foi divulgada no portal, pois, segundo o jornalista, "era a única defesa" que tinham.

"A gente ficou muito inconformado, porque foi de uma incoerência atroz. A gente não tem advogado, a gente não tem nada! A gente nem viu o processo. É de uma violência absurdamente grande, totalmente incoerente com o que a própria Folha defende", declarou. Segundo o profissional de imprensa, o documento entregue por um oficial de Justiça informava que o processo tem "mais de 80 páginas".

Sobre o site, o jornalista informou que ele foi criado como uma forma de criticar, com humor, o jornal: "Nosso propósito era uma paródia, que nem o José Simão faz na Folha, que nem o Ziraldo fez com aquela revista Bundas (paródia da Caras), e em nenhum lugar do mundo isso é censurado."

A liminar concedida à Folha da Manhã faz referência ao uso indevido da marca da empresa. Para o idealizador do site, o grupo fez uso de uma "brecha, uma desculpa legal para praticar censura". "É muito grave, porque o direito à liberdade de expressão teria que se sobrepor a isso. Não sou uma empresa, não sou filiado a partido político. A gente não ganhou um centavo com esse site. Ele foi criado única e exclusivamente para criticar o jornalismo praticado pela Folha de S.Paulo, crítica contundente até e, pelo jeito, funcionou", disse.

O Falha de S.Paulo ainda mantém seu perfil no Twitter e um vídeo no YouTube, em que faz uma brincadeira com uma famosa campanha da publicação paulista.

Ao Portal IMPRENSA, a Folha, por meio de sua advogada, afirmou que a ação não questiona o site, mas a semelhança entre os títulos, que poderia causar confusão em algum leitor desatento. "Não era para tirar o site do ar, a única medida era para que não fosse utilizada a marca da Folha", explicou Tais Gasparian, responsável pela assessoria jurídica da Folha da Manhã.

*Colaborou Eduardo Neco

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