Reunindo 70 veículos de imprensa, projeto investigativo promete revelar papel estratégico de Dubai para criminosos

Redação Portal IMPRENSA | 13/05/2024 14:33
Epicentro dos shoppings de luxo, da arquitetura ultramoderna, de animada vida noturna, de restaurantes estrelados e de celebradas grifes internacionais de moda e acessório. É assim que Dubai costuma ser caracterizada por grande parte das reportagens veiculadas na imprensa sobre a cidade dos Emirados Árabes Unidos repleta de arranha-céus - incluindo o Burj Khalifa, com impressionantes 830 metros -, ilhas artificiais, resorts e parques aquáticos. 

Envolvendo mais de 70 veículos de notícia, a reportagem colaborativa internacional Dubai Unlocked (Dubai desbloqueada), anunciada hoje pelo consórcio investigativo OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project), promete mostrar um lado bem menos divulgado da celebrada metrópole árabe, que hoje conta com mais de 3,3 milhões de habitantes. 
Crédito: Reprodução OCCRP
Contando com colaborações de veículos como Forbes, Al Jazeera, Expresso, Infolibre e ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, na sigla em ingês), o projeto vai revelar que Dubai também é o lar de criminosos condenados e fugitivos, que usam o emirado e sua peculiar legislação sobre propriedades para esconder enormes riquezas ilícitas.

Aperitivo brasileiro

Embora maiores detalhes, como a data de lançamento das reportagens, não tenham sido revelados pelo OCCRP, um aperitivo do que o projeto pode revelar foi publicado ontem pelo Portal Metrópoles.

Mesmo sem fazer parte da investigação colaborativa internacional, o veículo brasileiro revelou que Edson Carlos do Nascimento, principal alvo da Operação Khalifa, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), costumava fazer viagens frequentes a Dubai.

Apontado como líder de uma rede de agiotagem ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), Edson seria dono de bens luxuosos e teria movimentado R$ 20 milhões só no ano passado.

No Instagram, ele chegou a postar fotos em frente ao hotel Khalifa, que fica na icônica torre Burj Khalifa e é considerado um dos mais luxuosos de Dubai - daí o nome da operação do MPSP. 

Segundo a investigação, o esquema de agiotagem do PCC cobra juros de até 300% ao mês, além de multa de R$ 1 mil por dia em caso de inadimplência.

Deflagrada no última dia 7, a Operação Khalifa já cumpriu 9 de 11 mandados de prisão na capital paulista e na região do Alto Tietê.