Nova edição do relatório da Abert registra 111 casos de violência contra jornalistas e órgãos de imprensa brasileiros

Portal IMPRENSA | 05/04/2024 14:42
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) lançou ontem, em Brasília, a edição deste ano de seu relatório sobre violações à liberdade de expressão. Relativo a episódios ocorridos em 2023, o trabalho registrou 111 casos de violência não letal contra pelo menos 163 jornalistas e veículos de comunicação. Em relação ao ano anterior, houve redução de 19% no número de registros e de 23,11% na quantidade de vítimas.

Mesmo assim, os números apontam que a cada três dias a imprensa brasileira sofreu algum tipo de ataque no ano passado. Ademais, os casos de atentado, injúria e furtos contra profissionais de imprensa cresceram, respectivamente, 50%, 200% e 600% em relação a 2022.

O relatório também destacou o assassinato de Thiago Rodrigues, profissional de comunicação morto em Vicente de Carvalho (SP) após receber ameaças por denúncias sobre irregularidades no município e na gestão política da região publicadas em seu blog.
Crédito: Reprodução Abert
Desde 2012, quando a Abert começou a apurar os casos de violências sofridas por jornalistas brasileiros, foram contabilizados 26 assassinatos de profissionais da imprensa. Apenas em 2019 e 2021 não houve esse tipo de registro.

Plataformas digitais

Ainda de acordo com o levantamento, as agressões físicas lideraram os episódios de violações ao trabalho jornalístico. Pelo menos 45 casos foram contabilizados, número que representa 40% do total registrado pela entidade.  Boa parte das agressões foi motivada pela cobertura política e ocorreu logo após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e deprederam as sedes dos três Poderes, em Brasília. 

Também foram registrados 2,9 mil ataques virtuais diários contra a imprensa brasileira em 2023. O número foi levantado em parceria com a empresa de análise de dados BITES. Este tipo de agressão começou a ser monitorado pela Abert em 2019. Desde então, a mídia brasileira sofreu 10 milhões de agressões em posts publicados no Instagram, X (antigo Twitter) e Facebook.

"O poder de corrosão da democracia, com os efeitos tóxicos da desinformação e discursos de ódio espalhados nas redes sociais, deve ser combatido com a regulamentação e responsabilização das plataformas digitais, em defesa do aprimoramento da nossa sociedade, da liberdade de expressão e do Estado Democrático de Direito”, disse Flávio Lara Resende, presidente da Abert, durante o lançamento do trabalho.

O relatório também destacou 9 decisões judiciais consideradas contrárias à liberdade de imprensa. Dentre os exemplos de assédio judicial e processual contra jornalistas e órgãos de comunicação, o trabalho destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu mais de 40 ações idênticas ajuizadas em vários municípios por magistrados do Paraná contra jornalistas da Gazeta do Povo, após a publicação, em 2016, de reportagens sobre remunerações acima do teto constitucional recebidas por juízes, promotores e procuradores do estado.

O trabalho também destacou que a Abert atuou para a suspensão da decisão judicial de primeira instância que autorizava que emissoras de rádio fossem cobradas pela transmissão dos jogos do Club Athletico Paranaense.

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