Brasileiras são selecionadas por iniciativa do Pulitzer Center de estímulo a reportagens sobre florestas tropicais

Redação Portal IMPRENSA | 15/03/2024 14:17
Duas jornalistas brasileiras (Bruna Bronoski, de O Joio e o Trigo; e Catarina Barbosa, de Sumaúma) estão entre os nove bolsistas de todo o mundo selecionados este ano pela Rainforest Investigations Network (RIN), iniciativa do Pulitzer Center voltada a fomentar a cobertura jornalística em regiões de florestas tropicais.

O processo de seleção ocorreu pelo quarto ano consecutivo e visa apoiar a produção de reportagens que investiguem sobre esquemas ilícitos que estimulam a destruição desses ecossistemas.

O grupo de bolsistas deste ano reúne jornalistas de seis países, a maioria trabalhando na Amazônia, Bacia do Congo e Sudeste Asiático. 
Crédito: Reprodução Pulitzer Center
Também baseados na América do Sul, a repórter Karen Gil atua na Bolívia para os veículos Revista La Brava e Mongabay, e o jornalista Fabian Alexander Federl é correspondente no Brasil do site de notícias alemão Westdeutscher Rundfunk.

Urgência climática

Criada em 2020, a RIN já hospedou 54 projetos de reportagens investigativas sobre crimes contra o meio ambiente.

Além de apoio financeiro, a iniciativa oferece a seus jornalistas treinamento editorial, que contempla técnicas de análise geoespacial e de como pesquisar a atuação de empresas e políticos, e suporte da equipe de dados e pesquisa do Pulitzer Center. 

As reportagens já feitas por jornalistas da rede revelaram, por exemplo, esquemas ilegais de exploração de madeira na Bacia do Congo, a ligação entre produtos agrícolas e a violência contra indígenas na Amazônia, e a participação de indústrias farmacêuticas dos EUA no tráfico de vida selvagem do Sudeste Asiático.

Neste quarto ano, a ideia é priorizar projetos jornalísticos transfronteiriços focados nos atores financeiros que estimulam a destruição de florestas tropicais.

Diretora de educação e divulgação internacional do Pulitzer Center, Intan Febriani acredita que esse tipo de reportagem é mais e mais essencial, especialmente em um cenário global de crescente urgência climática.

“Neste momento crucial, à medida que o espaço cívico diminui em muitas partes do mundo, os jornalistas têm a tarefa de fazer perguntas difíceis. Contamos com os bolsistas da RIN para descobrir histórias subnotificadas."