Relato de trabalho da imprensa após a invasão russa à Ucrânia leva Oscar 2024 de Melhor Documentário

Redação Portal IMPRENSA | 11/03/2024 14:15
Após ganhar o prêmio Pulitzer e ter sido aclamado em festivais de cinema como BAFTA e Sundance, o documentário 20 dias em Mariupol, do jornalista ucraniano Mstyslav Chernov, foi o vencedor do Oscar 2024 da categoria. 

O trabalho documenta o período em que Chernov ficou preso na cidade localizada na costa norte do Mar de Azov, no leste da Ucrânia, após a invasão russa, em 2022. Além dele, outros profissionais de imprensa não conseguiram deixar a região, incluindo fotógrafos, repórteres e cinegrafistas do programa Frontline, da rede PBS, e da agência de notícias Associated Press (AP).

Discurso 

Chernov fez um discurso marcante na entrega do prêmio. “Provavelmente serei o primeiro diretor neste palco a dizer que gostaria de nunca ter feito este filme (...) Preferiria que a Rússia nunca tivesse atacado a Ucrânia, não estivesse ocupando as nossas cidades. Mas não posso mudar a história.”
Crédito: Reprodução YouTube
O documentário de Chernov mostra os esforços dos jornalistas para documentar as atrocidades da Operação Militar Especial, como o governo de Vladimir Putin até hoje insiste em chamar a guerra na Ucrânia. Além de cenas dramáticas do conflito, incluindo o sofrimento de crianças, corpos enterrados em valas comuns, o bombardeio de uma maternidade, o desespero nos abrigos e a angústia de soldados e socorristas, o trabalho destaca os riscos que os profissionais de imprensa enfrentaram.  

Perseguição

O documentário também mostra que os jornalistas que ficaram presos em Mariupol foram perseguidos por forças de ocupação russas e só conseguiram passar pelos postos de controle dos invasores, salvaguardando mais de 30 horas de filmagem, com ajuda de uma força-tarefa especial ucraniana. 

O filme disputou o Oscar de Melhor Documentário com quatro concorrentes: Bobi Wine: o presidente do povo, As quatro filhas de Olfa, Para matar um tigre e A memória infinita. 

Durante o período que ficou em Mariupol após a invasão russa, Chernov conseguiu produzir reportagens diárias para a Associated Press. Embora baseado nesse material em particular, o filme consegue ressaltar a importância do jornalismo de guerra em geral. 

Até o momento, 17 profissionais de imprensa morreram durante a invasão russa à Ucrânia. 

No ano passado, o Oscar de melhor documentário foi para Navalny, que relata o envenenamento do opositor russo que recentemente morreu numa prisão de segurança máxima do país.