Revista da Editora Abril sob suspeita de plágio e de falta de transparência no uso de IA

Redação Portal IMPRENSA | 07/03/2024 15:31
O site da revista Bebê, da editora Abril, está no centro de um possível escândalo envolvendo falta de transparência no uso de inteligência artificial (IA) e suposto plágio na produção de textos jornalísticos.  

O caso envolve mais de 300 matérias publicadas pelo veículo em janeiro último, todas com a assinatura de Vanessa Tavares. Em pelo menos 20 delas, o jornal Folha de S. Paulo identificou trechos idênticos aos de reportagens publicadas orginalmente pela própria Folha e por veículos como UOL, O Globo, revista Crescer e BBC Brasil.

As matérias também teriam reproduzido, sem crédito e sem aviso de que foram produzidas com IA, depoimentos de especialistas entrevistados por jornalistas de outros veículos.
Crédito: Reprodução FSP/revista Bebê
Matérias assinadas por "repórter fictícia" teriam sido publicadas após demissão de duas jornalistas da revista Bebê
No final de janeiro, um dia após a Folha questionar a revista sobre suspeita de plágio, quase todos os textos com a assinatura de Vanessa Tavares teriam sido excluídos do site do veículo. Em 26 de janeiro, o site da revista Bebê teria saído do ar, voltando apenas no dia 31.

Notificação

Sem constar no expediente da revista Bebê, Vanessa Tavares não foi localizada pela reportagem da Folha e não teria perfil no LinkedIn.

Uma das matérias que levam sua assinatura indicaria remédios para crianças sem citar suas contraindicações.

Até o fechamento deste texto, a Editora Abril não havia se manifestado sobre o caso.

Ainda segundo a matéria da Folha, a Editora Globo notificou a Abril sobre os supostos episódios de plágio. 

Os textos assinados por Vanessa Tavares teriam sido publicados após duas jornalistas da revista Bebê terem sido demitidas.

Como já destacado em diferentes artigos e matérias do Portal IMPRENSA, recomenda-se informar o leitor sobre o uso de IA em textos jornalísticos. Ademais, a tecnologia deve ser encarada como uma ferramenta de apoio à produção de reportagens. E não como uma forma de enxurgar custos ao substituir profissionais com conhecimento das práticas éticas e padrões jornalísticos.