Procedimento da PF com português que veio cobrir manifestação de Bolsonaro sofre críticas

Redação Portal IMPRENSA | 26/02/2024 17:08
Após Sérgio Tavares, ativista de direita português que chegou ao Brasil para cobrir a manifestação na avenida Paulista convocada  por Jair Bolsonaro, ter relatado em suas redes sociais que, na véspera do evento, foi detido pela Polícia Federal durante 3 horas no aeroporto de Cumbica, a instituição brasileira divulgou uma nota afirmando que estava seguindo um procedimento padrão.

De acordo com o comunicado, o objetivo era averiguar o que o português, que se apresenta como jornalista e recentemente entrevistou Bolsonaro - ocasião em que o ex-presidente fez suas costumeiras críticas ao Judiciário em geral e ao Tribunal Superior Eleitoral em particular -, veio fazer no Brasil. 
Crédito: Reprodução
O ativista de direita Sérgio Tavares, que se apresenta como jornalista e recentemente entrevistou Jair Bolsonaro
Sem mencionar o nome de Sérgio Tavares, a nota da PF afirma que, para fazer a cobertura jornalística de um evento, é necessário um visto de trabalho. Ainda de acordo com o comunicado, tal documento não foi apresentado pelo português. 

'Ditadura do Judiciário'

A informação da PF, porém, tem sido contestada. Colunista do Portal Metrópoles, o jornalista e escritor Mário Sabino, que já exerceu cargos de chefia na revista Veja e foi um dos fundadores do site O Antagonista, afirmou que, desde que não sejam pagos por fontes brasileiras, cidadãos da União Europeia podem, sem necessidade de visto de trabalho, exercer atividade jornalística no Brasil por um período de 90 dias. 

Em outro ponto contestado do comunicado, a PF afirmou que o jornalista português "foi indagado por comentários que fez sobre a democracia no Brasil, afirmando que o país vive uma ‘ditadura do Judiciário’". 

Por mais descabidas que sejam as posições políticas do português, o procedimento levantou duas suspeitas. A primeira, de que a PF sabia que ele chegaria a São Paulo. E a segunda é que agentes da instituição estariam monitorando as redes sociais do português.

Para quem tem se incomodado com um suposto ativismo político da Justiça brasileira, não restam dúvidas de que o jornalista português sofreu uma intimidação policial não condizente com um regime democrático.

Na visão desta ala, se ele infringiu leis brasileiras, deve ser processado. E não alvo de uma operação policial com conotação política.  

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