Edição revisada e ampliada de best-seller sobre urbanismo do jornalista Raul Juste Lores chega às livrarias

Redação Portal IMPRENSA | 20/02/2024 14:59
Lançado há 6 anos, o livro São Paulo nas Alturas, do jornalista e escritor Raul Juste Lores, que é colunista da rádio CBN São Paulo e atuou em cargos como redator-chefe da revista Veja São Pauo, correspondente da Folha de S. Paulo em Washington, Nova York e Pequim, e apresentador do Jornal da Cultura, na TV Cultura, está sendo relançado hoje. 

Revisada e ampliada, a nova edição segue a proposta de abordar as transformações arquitetônicas na cidade de São Paulo entre as décadas de 1950 e 1960, quando foram erguidos alguns dos mais emblemáticos edifícios da cidade, como Copan, Itália, Nações Unidas, Conjunto Nacional e Bretagne.

Mas, além de mostrar como a união entre arquitetos como Oscar Niemeyer, David Libeskind e Franz Heep, e empresários como Artacho Jurado, Octavio Frias de Oliveira e José Tjurs, deu origem a ícones da capital paulista, a nova edição abarca o triste processo que ofuscou aqueles anos dourados ao privilegiar carros, muros e promover forte segregação urbana. 
Crédito: Reprodução Instagram
Raul Juste Lores, em campanha pedindo apoio a seu canal no YouTube sobre arquitetura e urbanismo 
Com ilustrações do arquiteto Danilo Zamboni, a obra, originalmente publicada pela editora Três Estrelas, está sendo relançada pela Companhia das Letras.

Período áureo

"A primeira editora fez sete reimpressões, que simplesmente evaporaram. Ano passado eu consegui fechar um acordo com a Companhia das Letras. Esta nova edição tem novos mapas, novas fotos e novas ilustrações sobre um período áureo de São Paulo", disse o autor em sua coluna na CBN.

Raul também ressaltou que São Paulo é uma cidade muito mais nova do que Rio de Janeiro e Salvador, por exemplo. "Era um vilarejo pobre até meados do século XIX. (...) nossas construções eram muito mais simples. Não temos as igrejas barrocas de Salvador e Ouro Preto. Nem bairros históricos tão enormes quanto os do Recife. Mas nesse período do século XX, é como se São Paulo fosse a Xangai de então. Uma cidade que duplicava de população a cada década. E que tinha uma ousadia gigantesca, que, cada entre nós, nunca mais se repetiu."

Com pouco mais de 2 milhões de habitantes, nos anos 1950 a capital paulista ultrapassou o Rio Janeiro como a maior cidade do Brasil. "O livro usa a arquitetura para contar uma grande história de São Paulo. Depois da Segunda Guerra, o preço internacional do café quadriplica, deixando a cidade muito rica. Havia dinheiro, mas também inflação. Isso fez com que muita gente começasse a investir em imóveis. A população crescia sem parar."

O jornalista também associa as transformações arquitetônicas que remodelaram São Paulo ao aumento da auto-estima nacional, fruto de boas novas como a criação da Bossa Nova e as conquistas da primeira Copa do Mundo de Futebol, em 1958, e do Oscar de Melhor Filme Internacional com a produção ítalo-franco-brasileira Orfeu Negro. 

"É bom resgatar essa história, pois São Paulo não é tão famosa pela auto-estima. Aliás, eu brinco na introdução desta nova edição que está chegando hoje às livrarias, que se você vai a livrarias do Rio de Janeiro, você encontra uma prateleira inteira de livros sobre a cidade. Aliás, bairros do Rio têm vários livros sobre sua música, seus personagens e suas histórias. Mas quem vai a uma livraria paulistana e pergunta onde fica a seção de livros sobre a cidade, não vai achar quase nada. Então nós não olhamos para a nossa história. E quem não conhece não valoriza."

Raul produz em um celebrado canal no YouTube, também chamado de São Paulo nas Alturas, vídeos sobre arquitetura e urbanismo. Além de mostrar paisagens urbanas da capital paulista e de outras cidades que são consideradas exemplares em termos de promoção de qualidade de vida, o conteúdo faz críticas necessárias a obras e iniciativas que afastam os moradores da cidade, privilegiam o transporte individual e não conseguem promover o bom convívio urbano.