Entidades acusam governador do MT de perseguir jornalistas por publicações sobre mineração

Redação Portal IMPRENSA | 09/02/2024 11:02
Oito entidades jornalísticas (Abraji, Artigo 19, Jeduca, CPJ, Fenaj, Instituto Palavra Aberta, Instituto Vladimir Herzog e Repórteres Sem Fronteiras) criticaram a terceira fase da Operação Fake News, na qual os jornalistas Enock Cavalcanti e Alexandre Aprá foram alvo, esta semana, de uma operação de busca e apreensão ocorrida em Campo Grande (MT).

A ação resulta de inquérito policial que tramita na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) e que foi instaurado a pedido do governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (UB).
Crédito: Reprodução Repórter Brasil
Isso É Notícia, de MT, replicou matéria da Repórter Brasil e publicou texto opinativo sobre suposto conflito de interesse 
Devido a publicações no site Isso É Notícia, dirigido por Aprá, que teriam apontado a existência de um conluio entre Mendes e o desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT), o governador acusa os jornalistas de calúnia, perseguição e associação criminosa. 

Sigilo da fonte

Além de replicar uma matéria publicada pela Repórter Brasil em setembro de 2023 - que investiga a relação de Perri, também sócio majoritário de uma empresa de mineração, com garimpeiros investigados por uso de mercúrio ilegal, além de relatar a posição do desembargador em julgamentos que afetam os negócios de mineradoras -, o Isso é Notícia publicou um texto opinativo de Enock Cavalcanti sobre o suposto conflito de interesses. 

Além da operação de busca e apreensão, já foram solicitados os dados cadastrais dos jornalistas e determinada a remoção das publicações do ar. O mandado de busca e apreensão foi determinado pelo juiz João Bosco Soares da Silva, do Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO).

"Replicar reportagens de outros veículos e publicar artigos de opinião, mesmo que críticos, faz parte da atividade jornalística, fundamental para a manutenção da democracia. A tentativa de criminalização da profissão, cumulando delito de natureza privada com acusação de perseguição e associação criminosa, é uma grave violação à liberdade de imprensa. A operação desta semana também revela tentativa de violar o sigilo da fonte, prerrogativa fundamental da profissão jornalística", disseram em nota conjunta as entidades.