Conheça 3 projetos jornalísticos brasileiros de impacto que ganharam destaque em 2023

Redação Portal IMPRENSA | 30/01/2024 11:13
Reportagem do jornalista colombiano César Lopez, publicada este mês na revista LatAm Journalism Review (LJR), do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, destacou 3 projetos de jornalismo brasileiros que foram reconhecidos em 2023 por terem causado impacto socioambiental positivo. 

Um deles é o Amazônia Vox, concebido pelo jornalista Daniel Nardin, com apoio do Instituto Bem da Amazônia. A ideia é disponibilizar para colegas de todo o mundo sua lista de fontes especializadas na temática da Amazônia, que foi elaborada ao longo de sua carreira em veículos de imprensa de Belém (PA).
Crédito: Reprodução
Uma versão experimental da plataforma está ativa desde junho de 2023 e inclui os dados de mais de 300 jornalistas autônomos, quase 600 fontes, além de formulários abertos para que jornalistas e especialistas se registrem para integrar a lista.

A Amazônia Vox também publica reportagens investigativas com foco no chamado jornalismo de soluções, cujo objetivo é propor alternativas para os problemas da região amazônica.

Dentre os próximos passos do projeto, destaque para a tradução do site para o inglês e a expansão para outros países com território na Amazônia

Inteligência artificial

Outro projeto com DNA brasileiro destacado pela LJR é o Attack Detector, desenvolvido pela Abraji e a Data Crítica. A ferramenta usa inteligência artificial para analisar o discurso de ódio nas redes sociais e detectar possíveis ataques contra jornalistas, ativistas e defensores da terra.

Desenvolvido com apoio da JournalismAI Fellowship, organização de pesquisa em jornalismo e inteligência artificial da London School of Economics and Political Science (LSE), o projeto explora modelos de processamento de linguagem natural multilíngue de código aberto, desenvolvidos para identificar o tom emocional por trás de um texto.

Além de ataques explícitos, o objetivo é detectar agressões subjetivas, incluindo ironia e insultos disfarçados.

Por fim, a reportagem da LJR destacou o Amazon Underworld, que oferece uma investigação transfronteiriça e colaborativa sobre grupos criminosos que atuam na Amazônia. 

Realizado por 37 jornalistas de 11 países, sob a coordenação de InfoAmazonia (Brasil), Armando.Info (Venezuela) e La Liga Contra el Silencio (Colômbia), o projeto contou com apoio da Rainforest Research Network do Centro Pulitzer.

Foram produzidas ao todo oito reportagens, disponíveis em espanhol, inglês e português. O material contém análise de dados e pesquisa de imagens de satélite que revelam zonas de extração ilegal de ouro, áreas de processamento de drogas, rotas do tráfico e a presença de grupos armados e organizações criminosas em cidades fronteiriças da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. 

A investigação também mostra como grupos criminosos contribuem para a destruição ambiental e a invasão de territórios indígenas.