"Temos um plano", diz dono do LA Times sobre demissão de 115 funcionários

Redação Portal IMPRENSA | 26/01/2024 13:04
Com 142 anos, o jornal Los Angeles Times, um dos mais tradicionais da imprensa americana, demitiu 115 colaboradores no início desta semana. O número equivale a 23% dos profissionais que atuam na redação. 

Em junho do ano passado o veículo já havia demitido mais de 70 funcionários. Apesar dos relatos de que em 2023 o Times amargou um prejeuízo entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões, Patrick Soon-Shiong, dono do veículo, tentou amenizar a situação. “Não estamos em crise. Temos um plano real."

A demissões foram precedidas por protestos. Em 19 de janeiro, quase 90% dos funcionários fizeram uma greve.
Crédito: Reprodução
Jornal trocou de dono em 2018: funcionários apoiam novo proprietário
Os cortes não pouparam novas iniciativas do veículo, concebidas para atrair jovens, como a editoria De Los, com foco no público latino, e uma equipe especializada em cobrir memes da internet. 

O enxugamento também atingiu a sucursal de Washington, além das áreas de tecnologia, turismo, entretenimento, notícias de última hora, negócios, opinião, culinária, inteligência artificial, livros, vídeo, videogames e esportes.

Em comunicado, os funcionários do veículo criticaram os cortes, afirmando que eles são "fruto de anos de estratégia medíocre" e da ausência de uma direção clara na empresa. "Ainda não está claro quem está no comando de nossa redação mais de uma semana após a renúncia de nosso editor executivo”, diz o comunicado. 

Por outro lado, os profissionais elogiaram o atual proprietário do veículo. “Continuamos gratos pelo investimento da família Soon-Shiong no jornal e continuamos comprometidos em ser parceiros de boa fé nos negócios e na mesa de negociações. Mas está claro que aqueles que foram encarregados de administrar a generosidade de sua família falharam com ele – e não os membros comuns da equipe que não têm voz nas prioridades editoriais.”

Soon-Shiong comprou o LA Times em 2018. Ele vem culpando publicamente os antigos donos pelo crise financeira atual, causada por declínio no número de assinantes digitais e dificuldades para gerar receita publicitária. “É difícil refletir sobre os recentes anos tumultuados, durante os quais nosso negócio enfrentou desafios significativos, incluindo perdas que ultrapassaram $100 milhões em despesas operacionais e de capital."