Entidades criticam censura a conteúdo da Agência Pública envolvendo denúncias de violência sexual contra Arthur Lira

Redação Portal IMPRENSA | 17/01/2024 10:32
Entidades representativas de jornalistas e veículos de imprensa condenaram no início desta semana uma decisão judicial de 11 de janeiro, do desembargador Leonardo Roscoe Bessa, da 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que ampliou a censura a conteúdos jornalísticos sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), publicados no ano passado pela Agência Pública. 

A pedido do parlamentar, Bessa determinou que fossem tirados do ar o episódio número 78 do podcast Pauta Pública e a coluna da diretora-executiva da agência, Marina Amaral, que repercutiram entrevistas concedidas pela ex-esposa de Lira, Jullyene Lins, que o acusou de violência sexual e outros crimes. 
Crédito: Reprodução Agência Brasil
Arthur Lira foi acusado de violência sexual e outros crimes por sua ex-esposa, Jullyene Lins
Em nota conjunta, oito entidades de defesa da liberda de imprensa criticaram a decisão (Tornavoz, Repórteres Sem Fronteiras, Associação de Jornalismo Digital, Instituto Palavra Aberta, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, Federação Nacional dos Jornalistas, Intervozes e Instituto Vladimir Herzog).

No documento, as organizações afirmam que a decisão atenta contra a liberdade de imprensa. "O conteúdo jornalístico possuía evidente interesse público, sobretudo por se tratar de figura pública e de tema sensível à sociedade, como é a violência doméstica", diz o texto.

Por sua vez, a Agência Pública afirmou que “a reportagem em questão foi feita com base em documentos judiciais e fontes que deram seu depoimento sobre os fatos, teve propósito informativo e de interesse público, sem qualquer ofensa a quem quer que seja”.