Criticada por governo britânico, BBC defende política de não chamar Hamas de grupo terrorista

Redação Portal IMPRENSA | 11/10/2023 15:15
Após críticas de membros do governo britânico, a BBC defendeu hoje sua política editorial de não denominar os militantes do Hamas como “terroristas”.

Secretário de Defesa do Reino Unido, Grant Shapps classificou a decisão da emissora como "vergonhosa” e afirmou que ela dá a entender "algum tipo de equivalência" entre Israel e o Hamas. Shapps também afirmou que o governo britânico vê oficialmente o Hamas como uma organização terrorista e que qualquer apoio ao grupo no Reino Unido é ilegal.

“Eles não são lutadores pela liberdade, não são militantes, são terroristas puros e simples e é notável ir ao site da BBC e ainda vê-los falando sobre homens armados e militantes e não os chamando de terroristas”, acrescentou o secretário de Defesa.
Crédito: Reprodução
Jornalista da BBC Jeremy Bowen em reportagem no Sul de Israel
A política da BBC de não chamar o Hamas de grupo terrorista também foi criticada por James Cleverly, secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Lucy Frazer, secretária de Cultura, e pelo líder trabalhista Keir Starmer.

Defesa

Em nota, a BBC afirmou que não é de hoje que instrui seus jornalistas a não usarem o termo terrorista, a não ser que ele tenha sido empregado por uma fonte.

A empresa também disse que leva "muito a sério o uso da linguagem". "Qualquer pessoa que assista ou ouça a nossa cobertura ouvirá a palavra 'terrorista' muitas vezes, mas sempre atribuída a quem a utiliza, a exemplo do governo do Reino Unido."

A nota também afirma que a emissora é editorialmente independente e que seu trabalho é explicar precisamente o que está acontecendo, para que seu público possa fazer o seu próprio julgamento.

Segundo as diretrizes editoriais da empresa, a palavra “terrorista” pode ser “mais uma barreira do que uma ajuda à compreensão”.

"Não devemos adotar a linguagem de outras pessoas como a nossa; a nossa responsabilidade é permanecermos objetivos e reportarmos de uma forma que permita ao nosso público fazer as suas próprias avaliações."

Na mesma linha, o correspondente estrangeiro da BBC John Simpson afirmou que "chamar alguém de terrorista significa que você está tomando partido".