Jornalista mexicano denuncia medo de ser assassinado em coletiva de Obrador

Redação Portal Imprensa | 21/07/2022 10:15

A coletiva de imprensa do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, da última quarta-feira (20) terminou de forma dramática. Perto do fim do evento, o jornalista Rodolfo Montes se levantou e disse ao chefe de Estado que temia por sua vida e ressaltou os perigos enfrentados pelos jornalistas no país.


Segundo ABC, com a voz trêmula o repórter informou temer que o governo retirasse os guarda-costas designados a cuidar de sua segurança. O medo de Montes aumentou após receber um telefonema ameaçador em que o interlocutor alegava ser do cartel de drogas de Jalisco. No entanto, ele acredita não ser verdade. “Suspeito que outra pessoa esteja escondendo um funcionário do governo”, disse.


Crédito:Reprodução
Rodolfo Montes apelou ao presidente para protegê-lo de ataques contra sua vida


Diante do apelo, López Obrador prometeu proteger o jornalista. Repórter independente, Montes atua no semanário Proceso e em outros veículos nacionais. 


O medo do jornalista é compreensível. Somente em 2022, doze repórteres foram mortos no México, mantendo o país no topo de locais mais perigoso para atuação da imprensa fora de uma zona de guerra. 


“Esse tipo de declaração é um reflexo do perigo e das ameaças que eles enfrentam”, disse Jan-Albert Hootsen, representante mexicano do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), lembra que não foi a primeira vez que um repórter denunciou estar em perigo na coletiva de imprensa diária do presidente. “Se eles se sentem forçados a procurar o presidente, é porque enfrentaram problemas em níveis mais baixos” no governo, disse. 


No último fim de semana, o jornalista Rubén Haro, do estado de Sonora, revelou ter sido alvo de tiros na cidade de Ciudad Obregón. Ele não ficou ferido. Ele disse que recebeu a ameaça quando estava no estado de Quintana Roo, na costa caribenha, e que funcionários do departamento do interior o ajudaram a deixar o estado.


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