Jornalista que exibiu cartaz contra guerra na Ucrânia na TV é detida na Rússia

Redação Portal IMPRENSA | 18/07/2022 10:04

Conhecida por interromper a transmissão ao vivo de uma emissora de televisão para exibir um cartaz criticando a ofensiva da Rússia na Ucrânia, a jornalista russa Marina Ovsiannikova foi detida novamente neste domingo (17).


De acordo com AFP, pessoas próximas à jornalista informaram que, por meio de sua conta no Telegram, foram comunicados sobre a detenção de Marina. A mensagem, acompanhada de três fotos da prisão da jornalista dizia: "Marina foi detida. Não há nenhuma informação sobre o local onde se encontra".



Nas imagens, é possível ver Ovsiannikova sendo conduzida por dois policiais até uma van branca. Ela foi detida enquanto ela andava de bicicleta. Dmitri Zajvatov, advogado da jornalista, confirmou a detenção à agência de notícias Ria-Novosti. Ele ainda explicou que não sabe para aonde sua cliente foi levada. "Suspeito que isto esteja relacionado de uma forma ou de outra a seu ato de protesto”.

 

A prisão de Marina Ovsiannikova ocorreu dias depois de ela se manifestar sozinha em frente ao Kremlin com um cartaz criticando a morte de crianças ucranianas durante a guerra, além de chamar o presidente russo, Vladimir Putin, de "assassino".


Até o momento, não há nenhuma declaração oficial sobre os motivos da detenção da jornalista. No entanto, as manifestações de Marina, embora pacíficas, podem ser punidas por uma lei, aprovada recentemente, contra a publicação de "informação falsa" e "injúrias". A medida sancionada por Putin em 25 de março deste ano criminaliza informações falsas sobre entidades estatais do país que operam no exterior. A punição prevê prisão de até 15 anos por reincidência ou multa de 1 milhão de rublos (o equivalente a R$ 46 mil).


Em março, Ovsiannikova ganhou destaque após interromper o telejornal – da emissora de TV ligada ao Kremlin em que trabalhava – exibindo um cartaz no qual criticava a ofensiva na Ucrânia e a "propaganda" da mídia controlada pelo governo. Na ocasião, ela chegou a ser detida e interrogada por 14 horas, mas foi libertada após o pagamento de uma multa de 30.000 rublos (550 dólares).


Temendo represálias, a jornalista passou vários meses trabalhando no exterior. Porém, retornou à Rússia no começo de julho para resolver um contencioso sobre a custódia de seus dois filhos.


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