Após reportagens, TCU investiga empreiteira que ganhou série de licitações federais

Redação Portal IMPRENSA | 07/07/2022 19:14
Após uma série de reportagens da Folha de S. Paulo, que começaram a ser publicadas em abril último, a estatal federal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) anulou quatro contratos no valor de mais de R$ 230 milhões com a empreiteira Engefort, sediada no interior do Maranhão. 

Considerada "campeã" nas licitações de pavimentação do governo do presidente Jair Bolsonaro e destino de polpudas emendas parlamentares, a Enfegort obteve contratos que superam R$ 1 bilhão. Segundo o jornal, a empresa participou de todos os processos de concorrência pública sozinha ou acompanhada de empresa de fachada.
Crédito: Reprodução Governo do Estado de Rondônia

Após as reportagens, a Engefort virou alvo de uma apuração do TCU (Tribunal de Contas da União). O processo começou após representação assinada pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Felipe Rigoni (União Brasil-ES).

Sob controle do centrão

A série de reportagens da Folha também revelou que a Codevasf foi entregue por Bolsonaro ao controle do centrão em troca de apoio político. Com isso, a empresa, que tinha tradição na promoção de projetos de irrigação no semiárido, passou a focar em obras de pavimentação.

As reportagens da Folha analisaram 99 licitações de pavimentação realizadas em 2021. Desse total, a Engefort venceu 53 concorrências, incluindo algumas com valores quase 100% maiores do que os de concorrências vencidas por outras empresas. 

Um deles, no valor de R$ 62 milhões, era referente a serviços de pavimentação no Amapá. Outro grande contrato da Engefort encerrado pela Codevasf tinha valor de R$ 58,5 milhões e destinava-se à pavimentação de vias públicas no estado do Pará.

Neste caso a Engefort participou com a empreiteira Construita, sediada em Itamaraju (BA), a 2.600 km da capital paraense. A Construita deu o melhor lance, mas foi desclassificada sob a alegação de não ter apresentado atestados técnicos suficientes para a obra.

Outro contrato encerrado é de asfaltamento e recapeamento na região metropolitana do Recife e tem valor total de R$ 61,5 milhões. 

A Codevasf ainda anulou um contrato da Engefort no valor de R$ 48,6 milhões para pavimentação em Bom Jesus da Lapa (BA). Nessa licitação a Engefort não deu o melhor lance, mas acabou levando o contrato após a desclassificação de concorrentes.